sábado, 16 de junho de 2012
quinta-feira, 14 de junho de 2012
O mosquito, eu e a Natureza
Hoje vivi uma experiência de muita emoção.
Almoço. Segurando o pote com a mão esquerda e a colher com a direita.
Sentado ali atrás do prédio, buscava a sombra e o refúgio da natureza.
Árvores, plantas, e eu ali, sentado, buscando comer em silêncio, observando minha respiração.
Um aprendizado de paz.
Um mosquito se aproximou.
Num primeiro momento espantei-o com a mão afastando-o para longe.
Me arrependi. "Pobre mosquito, o que ele fez de mal, ele está no ambiente dele. Mesmo não matando, o movimento brusco contra ele é uma forma de agressão".
Depois pensei: "mas e se se ele me picar?"
Imediatamente respondi: "qual o problema? um pouco de sangue não me fará falta".
Continuei comendo, em busca de paz.
De repente uma picada. A pontada dolorosa na mão.
Olhei e ali estava. O mosquito com a agulha fincada em minha pele.
Não era da dengue. Tranquilo.
A dor passou. Fiquei admirando.
Pensei no amor. Dediquei amor a ele. "Que ele almoce meu sangue e receba amor junto com esse alimento".
Olhei pro meu almoço e agradeci a todos os vegetais que ali estavam me alimentando: arroz, lentilhas, vagem, cenoura.
E vi o mosquito e me senti um simples elo da Natureza.
Admirei mais profundamente o mosquito que continuava a sugar.
E a barriguinha dele foi ficando vermelha.
Ó meu Deus, a barriguinha dele...
Foi a primeira vez que notei isso.
A barriguinha cheia do meu sangue. Cada vez mais vermelhinha.
Chorei.
Chorei tocado pelo amor.
E ali chorei por ser parte deste todo.
Ele voou.
Estava satisfeito.
"Deve ir agora descansar", pensei. "Vai tirar uma soneca de barriga cheia"
Fiquei feliz de poder alimentá-lo.
quarta-feira, 30 de maio de 2012
Espiritualidade com Marcelo Freixo
Você pode participar deste movimento?
Ele é o símbolo de que há esperanças para nossa cidade.
Há esperanças para a política.
Há esperanças para o Brasil e o Mundo.
Pra nós, de todas as religiões, Marcelo Freixo encarna as virtudes que acreditamos essenciais na política: honestidade, ética, transparência e, sobretudo, coragem para enfrentar o que não está certo.
Martin Luther King Jr. dizia: "o que me perturba não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons".
Cremos que Marcelo Freixo está rompendo esse silêncio.
Na entrevista ao programa Roda Viva, podemos ver isso.
http://www.youtube.com/watch?v=2eL6zAz_LaQ
Você tem tempo de assistir? (dura 1h e 30 min)
Vamos fazer uma corrente de oração pela vida de Marcelo Freixo em todos os sentidos, pessoal, familiar e político. Queremos que ele seja protegido e inspirado, durante a campanha para prefeito, a trilhar esse caminho profético.
Como dizia o profeta Isaías (10:1-2): "Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo".
Todos os dias, dedique uma oração / meditação em benefício dele.
Cremos numa aliança bonita e consciente, comprometida e pacífica entre espiritualidade e política.
Mahatma Gandhi mostrou isso:
Sejamos éticos, sejamos bons. E possamos a cada dia ir fazendo a diferença ao nosso redor.
Paz! Paz! Paz!
Ele é o símbolo de que há esperanças para nossa cidade.
Há esperanças para a política.
Há esperanças para o Brasil e o Mundo.
Pra nós, de todas as religiões, Marcelo Freixo encarna as virtudes que acreditamos essenciais na política: honestidade, ética, transparência e, sobretudo, coragem para enfrentar o que não está certo.
Martin Luther King Jr. dizia: "o que me perturba não é o grito dos maus, é o silêncio dos bons".
Cremos que Marcelo Freixo está rompendo esse silêncio.
Na entrevista ao programa Roda Viva, podemos ver isso.
http://www.youtube.com/watch?v=2eL6zAz_LaQ
Você tem tempo de assistir? (dura 1h e 30 min)
Vamos fazer uma corrente de oração pela vida de Marcelo Freixo em todos os sentidos, pessoal, familiar e político. Queremos que ele seja protegido e inspirado, durante a campanha para prefeito, a trilhar esse caminho profético.
Como dizia o profeta Isaías (10:1-2): "Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo".
Todos os dias, dedique uma oração / meditação em benefício dele.
Cremos numa aliança bonita e consciente, comprometida e pacífica entre espiritualidade e política.
Mahatma Gandhi mostrou isso:
“Minha devoção à verdade empurrou-me para a política; e posso dizer, sem
a mínima hesitação, e também com toda a humildade que não entendem nada de
religião aqueles que afirmam que ela nada tem a ver com a política.”
Sejamos éticos, sejamos bons. E possamos a cada dia ir fazendo a diferença ao nosso redor.
Paz! Paz! Paz!
terça-feira, 15 de maio de 2012
Movimento Ecumênico de oração em favor de Marcelo Freixo
Queridos companheiros,
Quero fazer um pedido a vocês, meus amigos de todas as
religiões.
Que façam parte desse projeto de apoiar espiritualmente a candidatura
de Marcelo Freixo a Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro.
O Rio de Janeiro merece e precisa desse nosso movimento.
Durante algum tempo de minha vida me afastei dos assuntos
relacionados diretamente a esfera política. Me dediquei ao mundo acadêmico, hoje
sou professor e também tenho investido minhas energias na militância religiosa
e no trabalho com as pessoas que vivem nas ruas.
Mas ao ter um breve contato pessoal com Marcelo Freixo e
depois de conhecer um pouco mais sua história, seu trabalho como professor nos
presídios e sua luta na política, decidi que preciso fazer algo para ajudá-lo.
Não é por ter me afastado da política que me tornarei
indiferente.
Quando surgem políticos que parecem encarnar as virtudes de
um bom político, sinto que é meu dever fazer de tudo para apoiá-lo no
desempenho dessa arriscada missão: estar no poder sem se corromper.
Sinto isso no olhar e nas palavras de Marcelo Freixo. Sei
que ele é humano e terá suas falhas, ao mesmo tempo é alguém que leva a sério
seus princípios, seu trabalho e os sonhos de um mundo melhor. E a vida foi
levando nosso irmão ao lugar onde está hoje: deputado estadual e pré-candidato
a prefeitura do Rio.
Quando soube de sua coragem enfrentando as milícias através
da CPI, quando soube das ameaças de morte, fiquei com vergonha de mim mesmo.
Por que não estou fazendo nada? Por que não estou ao lado dele nessa luta?
Então agora estamos no caminho das eleições.
Muitas adversidades sempre surgem. Muitas intrigas surgirão.
Mais enfrentamento, mais polêmicas e talvez mais ameaças.
E independente dos resultados eleitorais, essa candidatura
será importante para o Rio de Janeiro pelo arejamento do debate, pelas novas questões
que ele traz. E a seriedade e o compromisso ético que Marcelo Freixo vem
demonstrando o coloca como representante de todas as aspirações daqueles que
buscam na religiosidade uma fonte de orientação ética e um espaço de trabalho
no bem.
Nessa última entrevista ao Roda Viva, o quadro que ele
descreveu do Rio de Janeiro, cidade onde amo morar, me pareceu bem convincente.
E me sinto mais uma vez sem forças para enfrentar o crescimento de um poder
mafioso tão enraizado em nossa cultura. O coronelismo do passado parece
ressurgir se alimentando de novas pobrezas.
Entrevista no you tube: http://www.youtube.com/watch?v=2eL6zAz_LaQ
Então pensei em fazermos algo. Qual o jeito de unir nossas
forças? Quais possibilidades de ações cabe a nós pessoas de diferentes religiões?
Pensei em começarmos do mais simples.
Daquilo capaz de nos unir numa ação comum.
Aquilo que fazemos de melhor, e que representa o nosso
diferencial com relação aos militantes sem uma prática espiritual: a oração.
Então para começar nossa ação conjunta, nesse ato ecumênico
em favor da candidatura do Marcelo Freixo, vamos começar a fazer uma corrente
de oração em benefício de nosso irmão. Que essas orações possam chegar até ele
nos mais diferentes sentidos: saúde, família, as pessoas que o envolvem e, claro, seu projeto para o Rio de Janeiro.
Creio assim estar dando um passo para a dignificação da
relação entre religião e política, também há certo tempo degradada. E não há
religiosidade autêntica que possa se divorciar da política, já que toda conexão
com o transcendente nos leva a um acréscimo de sentimento de amor, compaixão,
solidariedade, vontade de que todos os seres a nossa volta sejam felizes, vivam
em paz e harmonia.
Sei também que política costuma dividir as pessoas e o objetivo
da religião é unir. Daí que em muitos grupos religiosos seja conveniente
silenciar sobre política. Mas creio que o caso de Marcelo Freixo possa ser
visto como um caso especial. E precisamos de muito equilíbrio e tato para
seguir adiante nessa junção.
Sei que outras ações podem surgir também. Mas a oração deve
ser a primeira, a fundante. Dela não podemos nos separar. As outras ações, se
forem boas, surgirão através da inspiração que o espírito de oração nos
trouxer.
Não queremos o mal a ninguém. Queremos simplesmente apoiar e
fortalecer alguém que se dispõe a ajudar.
Sendo assim, o combinado é esse: cada um de nós irá inserir
Marcelo Freixo em suas orações diárias. E pode também colocar seu nome nas
instituições e nos grupos de oração que frequenta.
Teremos o horário das 18hs como horário preferencial para
uma mentalização em seu benefício.
Tenho certeza de que todos nos beneficiaremos porque
estaremos regando as sementes da esperança em cada um de nós.
Isso inclui não só o Rio, mas todo o Brasil pode nos ajudar.
Ou ainda melhor, essa corrente pode envolver pessoas do mundo todo.
Peço, por fim, que divulguem esse movimento, repassando esse
email e mantendo a prática diária de orar por ele, além de buscar uma atitude
de coerência ética, para que nossa oração ganhe ainda mais força: sendo hoje o
que desejamos para o mundo amanhã. A revolução começa dentro de nós.
Paz, paz, paz!
André Andrade Pereira – aapahimsa@yahoo.com.br
Economista (UFRJ), mestre em Ciência Política (IUPERJ),
doutor em Ciência da Religião (UFJF), atualmente Professor Adjunto da UFF,
membro da Casa de Emmanuel, militante do diálogo inter-religioso, um eterno aprendiz
da ciência da Vida.
segunda-feira, 2 de abril de 2012
Não é normal morar na rua?
Queridos amigos,
eis um link da reportagem que fizeram sobre Renato
Rocha.
Nosso companheiro esteve algumas vezes entre nós, no café de
segunda.
Ali, ao contrário da Record, respeitamos seu tempo, demos o violão na
mão dele. Ele não tocou, ficou olhando, fez diversos comentários sobre a marca,
sobre as cordas, etc. E o deixamos onde ele estava. Nossa metodologia é: só
podemos ajudar quando há uma demanda. Oferecemos o alimento, o olhar, o toque, a
amizade, o papo, o violão. Mas não podemos entrar e mudar a vida de ninguém. As
pessoas são livres.
Ao ver a reportagem senti muitas emoções diferentes.
Mas fico com uma reflexão que gostaria de compartilhar.
Gostaria de ver isso escrito por um psicólogo, alguem que estudou
melhor a mente humana.
Mas do pouco que li e vivencio nesse
assunto, faço umas perguntas:
O que é ser normal?
O que a sociedade espera do comportamento humano como algo
normal?
O que significa morar na rua?
Nesses anos de contato com a população de rua posso dizer que a
grande maioria passou por traumas, crises financeiras, familiares e psicológicas
que as conduziram a esse destino.
É leviano dizer que as pessoas moram na rua por opção.
Temos uma responsabilidade social por esse contingente imenso de
pessoas que, se pudessem, escolheriam outra situação para viver.
Por isso precisamos rever as nossas perspectivas de inclusão:
moradia, educação, saúde, transporte (estamos no terreno das escolhas coletivas,
ou mais tecnicamente falando, das políticas públicas)
É preciso, como sociedade, oferecer oportunidades.
E elas não existem. O que há, é muito ruim. Os abrigos são
hiper-lotados, o tratamento é pouco digno. E a solução da questão tem no abrigo
só o começo. é preciso muito mais.
Mas todos os dias escolhemos manter as pessoas revirando e comendo
comida do lixo.
"Esse é o nosso mundo..."
Olhando a reportagem com sensibilidade começamos a perceber que
estamos longe de compreender o problema.
A estética da reportagem, o tom da reporter, toda essa estratégia de
lucrar com o sofrimento do nosso companheiro mostra que estamos longe de
compreender as pessoas, a dinâmica do psiquismo humano.
Ela ficou o tempo todo forçando situações esperando que saissem
lágrimas dos olhos do seu entrevistado. É isso que esses programas
fazem. Esses entrevistadores que se aproximam num dia, tentam explorar a dor da
pessoa, para que o público chore junto, sofra com o "coitadinho" que está
sofrendo, a emoção do reencontro. E tentam um final feliz, para dizer: olha como
a nossa equipe fez o bem...
Mas o fato desmente a teoria.
O que se esperava do "comportamento normal" não foi encontrado em
nenhum momento durante a reportagem.
A fala, o pensamento do Renato é absolutamente fragmentado. Sua mente
tem uma dinâmica própria, assim como suas emoções. É claro que ele se emociona e
pensa, mas faz isso de um jeito que a "normalidade social" não compreende. Suas
frases são curtas, opera por imagens, ideias soltas, conversar com ele é uma
viagem, ele vai de um assunto a outro e assim por diante. Se vocês repararem, a
TV não mostra ele falando por muito tempo. Só pega umas falas soltas, porque é
assim que ele conversa. Mas isso não é entendido como adequado para a TV. Então
a TV falou por ele e o usou, como sempre faz. E o mundo continua sem chance de
compreendê-lo como ele é.
Foi tempo em que os diferentes eram trancados nos hospícios, "para o
bem deles".
Foi-se o tempo da camisa de força.
Hoje ele pode decidir.
Que irônico ver o Renato dizendo que queria ir embora, contrariando
todo o tom da reportagem e das nossas emoções que iam sendo conduzidas pela
força poderosa da mídia.
Ele prefere ficar na rua, no momento.
A ordem, para Renato, é outra.
O normal não existe.
Ele desmente o nosso paradigma do que é normal.
Por que morar na rua é contra a ordem? Por que é contra as normas
sociais? Será que os políticos que inventaram o choque de ordem já se
perguntaram isso?
Se você for a Índia, verá pessoas que fizeram a opção pela pobreza,
pela rua, numa caminhada de libertação de um mundo ordinário, tão ordenado
quanto bárbaro. Um elefante andando pela rua não seria estranho lá (ouvi essa
reflexão de Jorge Munoz, um senhor que tem anos de trabalho com população de
rua)
É falsa a nossa ilusão de civilização, de ordem, de
normalidade.
Foi contra isso que o Legião Urbana cantou em tantas canções: é tudo
isso em vão.
E é isso que denunciam todos os artistas, poetas, profetas e loucos
de todos os tempos.
A normalidade do mundo é uma falsidade.
Pobre reportagem que não entende nada. Se confundiu e confundiu tudo,
invertendo o sentido da poesia.
E pobres de nós que não sabemos incluir.
Continuamos no paradigma da normalidade, nós, normóticos, na
tentativa desesperada de dar sentido a um mundo que não tem um sentido dogmático
como querem os totalitaristas de todo espectro político.
Vivam os poetas, loucos, profetas, artistas de todos os
tempos.
Não são eles que precisam de tratamento. Nem de cruzes, venenos ou
fogueiras.
Precisamos de um mundo novo.
paz, paz, paz!
domingo, 11 de março de 2012
Entrevista sobre os livros
"O escritor fala sobre os livros de sua autoria, lançados recentemente pela Editora Comenius: Espiritismo e Religiões: por uma teologia pluralista, Espiritismo e Budismo: por um diálogo entre Ocidente e Oriente e Espiritismo e Globalização: por uma civilização do amor.
As obras fazem parte da tese de doutorado defendida pelo autor na área de Ciências da Religião, na Universidade Federal de Juiz de Fora, e formam essa excelente trilogia, com o apoio do Instituto de Cultura Espírita do Brasil. São temas atuais, tratados de maneira límpida, profunda e poética.
Na entrevista, André Andrade Pereira fala de um curso de meditação que fez, onde aprendeu uma técnica ensinada por Buda. Informações sobre o curso podem ser obtidas em www.dhamma.org.
José Antonio M. Pereira colaborou com perguntas endereçadas ao entrevistado."
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
Um jovem na Comeerj
Ele veio a Comeerj pela primeira vez. Foi um amigo que o convenceu a vir. Convicções espíritas ainda não tinha. Vai ao centro, gosta dos amigos, mas ainda não sabia em que realmente crer.
No domingo assistiu a peça de teatro na quadra. Ficou impactado ao pensar, de verdade, pela primeira vez, sobre a vida além da vida.
Foi tomar seu lanche. Suco de manga e uns biscoitos e, estranhamente, quis ficar um pouco só. Escapou das conversas e foi andar. Andou pela Comeerj e sentiu uma forte vontade de ir até a grama olhar as estrelas.
Foi chegando e avistou um homem sentado, em meio a penumbra da noite. O homem olhava o chão, alisava a terra, um ambiente de calma serena o rodeava.
O jovem se aproximou, se aproximou... e sentou-se ao lado do homem. O homem olhou. Seus olhos brilhavam como estrelas; era belo, seu sorriso era feliz, puro e suave.
- Quem é o senhor?
- Você não sabe quem eu sou? Todos falam de mim aqui. Cantam o meu nome. Mas poucos podem me ver.
- Quem é o senhor?
- Eu sou o olhar do teu amigo, a fúria do teu inimigo, sou aquele que pede pão, o que precisa de atenção. Sou o pai, o filho, o coordenador, o jovem, sou a tia da cozinha, o tarefeiro de rodo e vassoura, sou a árvore que virou cabo de vassoura, sou o farelo do pão.
- Quem é o Senhor?
- Eu sou o amor. Sou teu amigo, sou teu mais próximo amigo.
O jovem olhou Jesus ali na grama, ficou sem saber o que fazer. Se se ajoelhava, se beijava-lhe os pés, se chorava. Jesus estendeu a mão, e pegou um biscoito. Tomou um gole do suco e disse: "Manga! É uma das criações favoritas de meu Pai."
O jovem teve medo: "Mas eu não creio em nada, não creio nem no Senhor."
- Mas eu confio em você. Vai, ama e faz o que deve ser feito. Vai e tudo que fizer será abençoado. Eu estarei contigo.
E o jovem foi para o alojamento e foi dormir.
- continua...
No domingo assistiu a peça de teatro na quadra. Ficou impactado ao pensar, de verdade, pela primeira vez, sobre a vida além da vida.
Foi tomar seu lanche. Suco de manga e uns biscoitos e, estranhamente, quis ficar um pouco só. Escapou das conversas e foi andar. Andou pela Comeerj e sentiu uma forte vontade de ir até a grama olhar as estrelas.
Foi chegando e avistou um homem sentado, em meio a penumbra da noite. O homem olhava o chão, alisava a terra, um ambiente de calma serena o rodeava.
O jovem se aproximou, se aproximou... e sentou-se ao lado do homem. O homem olhou. Seus olhos brilhavam como estrelas; era belo, seu sorriso era feliz, puro e suave.
- Quem é o senhor?
- Você não sabe quem eu sou? Todos falam de mim aqui. Cantam o meu nome. Mas poucos podem me ver.
- Quem é o senhor?
- Eu sou o olhar do teu amigo, a fúria do teu inimigo, sou aquele que pede pão, o que precisa de atenção. Sou o pai, o filho, o coordenador, o jovem, sou a tia da cozinha, o tarefeiro de rodo e vassoura, sou a árvore que virou cabo de vassoura, sou o farelo do pão.
- Quem é o Senhor?
- Eu sou o amor. Sou teu amigo, sou teu mais próximo amigo.
O jovem olhou Jesus ali na grama, ficou sem saber o que fazer. Se se ajoelhava, se beijava-lhe os pés, se chorava. Jesus estendeu a mão, e pegou um biscoito. Tomou um gole do suco e disse: "Manga! É uma das criações favoritas de meu Pai."
O jovem teve medo: "Mas eu não creio em nada, não creio nem no Senhor."
- Mas eu confio em você. Vai, ama e faz o que deve ser feito. Vai e tudo que fizer será abençoado. Eu estarei contigo.
E o jovem foi para o alojamento e foi dormir.
- continua...
domingo, 5 de fevereiro de 2012
Os meus amigos
Os meus amigos são pessoas de paixão.
Os meus amigos são pessoas quase doidas
Que se dispõe a aventuras
Que ficam acordados até tarde
E não se preocupam se tem que acordar cedo de manhã
E fazem isso porque gostam de estar comigo
Como eu gosto, intensamente, de estar com eles.
São pessoas boas de conversa
E conversamos sobre todas as coisas
em casa, na rua, nas praças, andando ou sentados
E são pessoas abertas
Meus amigos gostam de falar de si
E gostam de ouvir as histórias de cada um
São pessoas apaixonadas pela vida
E pela experiência humana.
Meus amigos são críticos dessa sociedade louca
Que tenta obrigar as pessoas a não terem tempo para os amigos
E preferem a amizade ao dinheiro
Meus amigos gostam de cachoeira
E um pouco de praia.
Os meus amigos gostam de olhar a lua
e as estrelas.
Os meus amigos gostam de se impor desafios
e não ligam se dizem que é programa de índio
meus amigos são índios
e tudo vale a pena se a alma não é pequena
esse é o nosso lema.
Os meus amigos gostam de olhar a lua
e as estrelas.
Os meus amigos gostam de se impor desafios
e não ligam se dizem que é programa de índio
meus amigos são índios
e tudo vale a pena se a alma não é pequena
esse é o nosso lema.
Meus amigos são cheios de ternura
São pessoas carinhosas
Éticas acima de tudo
Sempre procuram tolerar o outro
Do jeito que o outro é
São pessoas que amam.
Os meus amigos telefonam quando estão mal
E precisam conversar.
E é para eles que eu ligo quando quero conversar.
Os meus amigos tem muita energia
Quando se trata de estarmos juntos
Mesmo para ficarmos em casa, fazendo nada, é ótimo fazermos nada juntos
Os meus amigos chegam sem avisar
E eu vou a casa deles sem avisar também.
Os meus amigos comem com a mão.
Os meus amigos chegam sem avisar
E eu vou a casa deles sem avisar também.
Os meus amigos comem com a mão.
Os meus amigos tem suas particularidades
E cada um é do seu jeito
Mas todos respeitam o jeito de cada um
Nunca vi um amigo falando mal de outro
Apenas sorrindo do jeito próprio que as pessoas tem.
Os meus amigos são sonhadores
São poetas
São amantes da beleza
Têm alma de artista
E mesmo os mais prosaicos
Não querem impor um mundo sério a todos
Riem das minhas loucuras
Os meus amigos me apóiam
E quando vou ao mundo da lua
São eles que mantém meus pés no chão.
Os meus amigos sabem das minhas loucuras
E gostam de mim por isso.
Os meus amigos sabem quando não estou bem.
Os meus amigos sabem quando não estou bem.
Sou apaixonado pelos meus amigos
E morro de saudades por não tê-los mais
Próximos de mim.
Acho que estou só.
Me sinto só.
O mundo roubou meus amigos
Todos.
Casamentos, trabalhos, filhos, estudos, novos grupos...
Todos ficaram sem tempo, sem vida, sem paixão.
E a solidão me deixa triste.
Acho que ninguem gosta de se sentir triste.
E não tem facebook, email ou nenhuma pessoa que resolva
Essa solidão e essa tristeza de estar longe dos meus amigos.
Onde estão vocês?
Por que caminhos a vida levou-os de mim?
Será tão séria assim a nova vida?
Será tão boa a vida de agora?
Será que fui eu que me perdi?
O que será que eu fiz para perder vocês?
Será que fui eu que me perdi?
O que será que eu fiz para perder vocês?
Será que vocês também estão tristes?
E sós?
domingo, 15 de janeiro de 2012
Oração
Pensei em orar. Olhei o céu.Imediatamente surgiu-me a dúvida: como orar sem repetir palavras vazias? Como falar com Deus, me dirigindo verdadeiramente a Ele? Como chamá-lo? Por qual nome? Lembrei de pessoas que me inspiram espiritualidade: Madre Teresa, Jesus, Buda, Francisco de Assis. Cada qual o chamou de um jeito. Como falar? Faz sentido falar? Não seria melhor o silêncio? E pensei: se estou nele não preciso falar nada, basta ser. Se não estou, não adianta falar, pois a voz sai vazia. Diante da dúvida, e da vontade de Deus, me entreguei a um pietismo e orei falando, na esperança de que me fizesse bem, de que fosse produtivo.
E orei, lentamente, assim:
Deus-Pai, Deus-Mãe
Deus-Tudo, Deus-Nada
Deus-Eu, Deus-não-eu
Permita que eu possa sentir a Tua verdade.
Permita que eu possa saber, entender, perscrutar a Tua vontade, a Tua lei.
Que nenhum homem passe fome.
Que nenhum homem sinta a dor da injustiça.
Tu és Pai, pois criaste tudo.
Tu és Mãe, pois de Ti tudo foi gerado e Tu nutres todas as coisas.
Tu és tudo pois não há coisa alguma, lugar algum onde não estejas.
Tu és nada, pois para cada coisa que olho tu estás além.
Tu és Eu, pois estás em mim.Tu és não-eu, pois estás em mim na parcela onde não há eu, onde estou vazio de mim.
Tem piedade de nós.
Possamos todos nos libertar do ego.Que todos possam se aproximar de Ti.
Obrigado,
Obrigado por todos que vieram antes de mim e abriram caminhos.
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