segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Não quero dormir, Mamãe.


Ma!...
Ma!...
Ma Ma...
Mamãe!
Me deixa ficar aqui
no seu colo
Não quero dormir
Não quero ir
Me deixa ficar aqui
Ouvindo suas canções
De amor e mistérios
Porque eu sei
Eu sei que se eu dormir
Vou esquecer
Vou esquecer que você está aqui
E que cada partezinha de mim
É tua, mamãe
Eu sou todo feito de você
Sinto você assim na pele de fora
E na pele de dentro
E quando respiro o ar
Sinto o geladinho aqui dentro
E sei que é você
E que o proprio ar também é você
E olho toda a luz
E tudo isso é tão bonito
Mamãe
Não me deixa dormir
Pra que eu possa não esquecer
De você, mamãe
Porque sei que se eu esquecer
Vou sentir medo de novo
E o sono é traiçoeiro, mãe
E eu vou ficar assim,
perdido de novo
Sem saber que somos um
Mamãe
Mamãe
Mamãe Natureza
Me ensina a ficar acordado
O tempo todo admirado
De toda essa grandeza
De toda essa pureza.
Mamãe Natureza.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Um silêncio impressionante

Hoje começamos nossa prática no local de costume, debaixo da árvore, no Aterro do Flamengo, em frente a praia, diante da pedra do Pão de Açúcar. Ali, vento frio e sol quente, fizemos o nosso círculo de esteiras e cangas e fomos nos sentando, uns na sombra outros sob o sol.

Sentados em círculo ficamos um pouco em silêncio. Um silêncio bom, calmo, temperado com a expectativa de uma aula que estava por começar.

Então falamos nossos nomes na roda: André, Luciana, Fernanda, Dona Elizabeth (querida, de volta depois de um tempo distante), Emerson, Rodrigo, Gezilda, Daniela, Del, Ana, Alessandro, Chantal, Ana (que também canta no coral foi pela primeira vez), Ronaldo, Claudio, Adalto, Donilson, Alexandre compunham a roda e depois chegou a Fátima e no finzinho o Aílton e a Maria do Carmo que ainda conseguiram participar da roda final do estudo e do almoço que foi preparado pela Hanna e o Marcos. Outras duas pessoas passavam na hora do almoço e se alimentaram também, mas não registramos seus nomes. Quem sabe retornam, mais cedo, numa próxima vez?

Ali na roda, comentamos sobre as qualidades da mente, tal como apresentadas no yoga sutra de Patanjali. Resumindo o estudo da semana anterior, vimos que a mente pode se apresentar em um desses cinco estados:
1) ksipta, que é a mente agitada, semelhante a um macaco bêbado, que não tem direção alguma, cada hora um pensamento surge e é subitamente substituído por outro;
2) mudha que é o estado da mente letárgica, como um búfalo atolado na lama, pesada, em torpor, que é a mente de quando a pessoa passa por uma grande frustração, decepção;
3) viksipta, que é a mente mais comum: encontra um foco, mas não tem continuidade, caminha entre a fé e a dúvida;
4) ekagrata, que é quando a mente acha um ponto e mantem o foco; é onde começa o trabalho do yoga (e sugerimos exercitar a observação do proprio coração, ou do ponto entre as sobrancelhas) e, por fim, o objetivo de nossa pratica:
5) nirodha, que é a total absorção, onde não há diferença entre observador e observado.

Sugerimos alguns mantras que podem acompanhar a respiração, recitar o nome de alguma divindade ou mestre: Buda, Jesus Cristo, por exemplo, ou palavras positivas como Paz, e lembramos das quatro palavras usadas pelo prof Hermógenes: Entrego, Confio, Aceito e Agradeço.

Depois dessa breve explanação e integração do grupo, passamos à condução da professora Fernanda. Ela aproveitou e iniciou respirando e fazendo mudras relativos a essas quatro palavras do prof Hermógenes. As mãos estendidas a frente, unidas pelos dedos mínimos, com ambas as palmas para cima, num gesto de entrega (Entrego), os dedos entrelaçados e as palmas de encontro ao coração (Confio), uma palma para cima, em concha, à altura da cintura, e a outra palma também em concha sobre a primeira, fazendo uma caixinha, como que cuidando do presente recebido (Aceito) e as palmas unidas em prece junto ao peito (Agradeço).

A condução da Fernanda é sempre muito boa. Ela propõe exercícios e usa um tom de voz que ajuda a ativar a energia do corpo, leva a turma a um estado de ânimo mais ativo, de auto estima, de confiança e vontade de viver, ao mesmo tempo que uma calma e equilíbrio interior, um estado de mais espiritualização de cada um. Uma aula muito bem equilibrada, uma presença que irradia um elevar de ânimo, um cuidado acolhedor, um convite a paz consigo mesmo.

Ela nos conta assim: "não projeto a aula, já a partir do café [onde atua como voluntária] vou vendo os alunos e procurando sentir, através de uma palavra ou outra, o que seria bom para levar para a aula. E simplesmente flui. Ao sabor do vento suave  nos tocando." Segundo ela, "aos poucos,  vou soltando os nós, as tensões, que acumulamos a partir do pescoço, até a ponta dos pés. E preparando o corpo.
Entrei nos asanas calmamente,  trazendo baddha konasana (borboleta) ativando o chacra base, navasana (postura do navio) ajuda a aliviar o estresse, vrksasana (árvore) melhorando o equilíbrio e despertando as qualidades ("tirando a banalidade da postura"e focando qualidades). Passando sempre pela virabhadrasana (guerreiros) despertando a coragem e determinação de metas, com cuidado especial com a coluna. Fortalecendo com adho mukha (postura do cachorro), trazendo a força, firmeza e suavidade. Tadasana (montanha), inspirada no cenário (Pão de Açúcar), com a imaginação de ser nosso próprio corpo, e me deixo ir..."

E agradece: "Todas as segundas que estou junto a vocês, meu dia passa muito leve! Me dá prazer de estar com os alunos e ouvi los..."

Saímos do relaxamento, sentamos em fizemos o mantra OM, e o mantra da paz (OM Shanti). Levando a testa na direção das mãos e do coração... a professora agradeceu a presença e a confiança de todos. Namastê.

Então entoamos baixinho o mantra Lokah Samasta Sukhino Bhavantu ("Que todos os seres sejam felizes"), na melodia que aprendemos na aula anterior.

E depois o silêncio...

Um momento espontaneo de meditação silenciosa.

"Um silêncio impressionante!" nos disse Chantal, uma participante que foi pela primeira vez e há alguns anos vem praticando yoga.

Então, como a professora Ana trouxe um texto para o estudo, nos sentamos mais próximos para a leitura. A transcrição da palestra do Swami Madhurananda, "Efeitos da prática do yoga na personalidade".

Uma reflexão muito clara que trouxe mais consciencia do caminho que estamos trilhando ao praticar yoga. Nosso grupinho, ali, sob o sol do aterro, em roda, refletindo e se aprofundando junto. Quais os efeitos do yoga? O que estamos buscando aqui?

O autor começa definindo o que é uma pessoa. E parte do ponto de vista da filosofia Vedanta, onde "(...) o “ser humano” constitui-se do “Ser”, que é algo imaterial, e do “humano”, que é seu aspecto material."

Então começa a definir a parte material do humano. Assim como a água que se apresenta em seu estado sólido, líquido e gasoso, sem jamais deixar de ser H2O, a pessoa humana igualmente irá se apresentar em diferentes graus de densidade e sutilidade. Matéria e energia em diferentes graus de organização interna. E fala de cinco koshas (palavra em sânscrito que quer dizer invólucro, envoltura). Em cada pessoa são cinco koshas que recobrem, envolvem, o Ser: o corpo físico, a energia vital, também conhecida como prana; a mente; o intelecto, ou seja, um nível mais elevado que é capaz de discernir e discriminar e, em quinto, a mais sutil das envolturas, caracterizada pelo estado de bem aventurança, o samadhi.

Entendendo o ser humano como constituído, em seu aspecto material, pelos cinco koshas, o swami aponta o caminho para estudarmos os efeitos do Yoga na personalidade e em pensar numa prática que atua num sentido de integração, curando a personalidade fragmentada.

"(...) quando falamos dos efeitos da Yoga na personalidade, entendemos os resultados que a prática do Yoga, como um sistema integrado, constituído de diferentes passos, produz em cada um desses cinco níveis. Isto é algo muito importante de se identificar: o que buscamos é obter uma personalidade “integrada”, por isso falamos de um sistema de Yoga integrado, que atua em toda a nossa personalidade e não somente em uma parte dela. Se trabalharmos apenas um aspecto de nossa personalidade, ou seja, um ou dois desses koshas ou invólucros, desenvolveremos uma personalidade fragmentada, dividida, compartimentada; uma característica assustadora no mundo atual.

O que queremos dizer com isso? Podemos praticar algum tipo de Yoga, ou alguns passos do Yoga, que somente promovam a saúde física ou nos ajudem a regular o prana. Mas na vida, quando nos deparamos com sérias dificuldades, e ninguém pode escapar disso, talvez não sejamos capazes de solucionar o problema apresentado, isso porque não dedicamos algum tempo de nossa vida para desenvolver a capacidade de discernir entre o que realmente tem valor e o que não serve para nada. Com isso, as questões essenciais da vida são deixadas totalmente de lado.

Ou pode acontecer o contrário: praticamos algum tipo de Yoga, ou alguns passos do Yoga, através do qual conseguimos desenvolver nossa capacidade de discernimento e alcançamos um nível muito elevado no qual compreendemos muito claramente o que é bom e o que é mau em todos os campos da vida. Mas na hora de aplicar este conhecimento, no momento de “colocar mãos à obra”, como se costuma dizer, não temos nem o vigor, nem a inteireza necessários para fazer o que sabemos que é bom; assim, acabamos levando uma vida contraditória, sempre em conflito entre o que pensamos e o que fazemos, isso porque não nos dedicamos ao desenvolvimento dos outros níveis de nossa personalidade. Esse é um exemplo de personalidade fragmentada. Para alguém assim, é muito difícil, quase impossível, alcançar a união ou a transcendência com sua verdadeira natureza, o Ser ou Atman do qual falamos no começo.

Nossa meta, então, é desenvolver uma personalidade “integrada” por meio de um sistema de Yoga integrado."

Para chegar a esse objetivo de integração, é preciso conhecer o fator aglutinador dos diferentes koshas. Assim como o cimento é o fator aglutinador dos tijolos na construção civil, assim como os ovos são elementos que ajudam a aglutinar os demais ingredientes de um bolo, e bem como o fator gravitacional no centro da Terra ajuda a que os objetos permaneçam no solo (exemplo que nosso grupo em círculo entendeu muito bem)... há no ser humano um centro aglutinador, integrador das partes.

Quando afirmamos "eu sou" e me identifico com o mesmo eu em diferentes momentos da vida, em diferentes relações com diferentes pessoas. Quando sou capaz de perceber "meu corpo", "minha mente" e todos os demais koshas. "Quem atua por detrás, ou em um plano mais profundo, e que percebe tudo? Esse é o nosso centro, é o que mantém nossa personalidade integrada. Identificá-lo é o primeiro grande passo da Yoga. O segundo passo é tentar encontrar-se nesse “centro” a qualquer momento e sempre que se desejar. Em seguida, o ideal é poder permanecer sempre neste centro. Do ponto de vista da Vedanta, a prática do Yoga é essencial para se conseguir isto."

E assim chegamos a entender o sentido de união, do yoga. União que é o significado de yuj, a raiz sânscrita da palavra yoga. União de quê?  "Primeiro, a união de todas as partes de nossa personalidade para nos identificar com nosso verdadeiro Ser, o Atman, o que em nós não é matéria. Em seguida, ocorre a união desse Ser individual com o Ser Universal ou Ser Supremo. Aí, então, alcançamos a unidade com o Todo."

Em algum momento a nossa leitura foi interrompida, porque a Hanna e o Marcos estavam chegando com o almoço e precisavam de ajuda para carregar as bolsas do carro estacionado lá na praia do flamengo. Paramos. Um grupo foi até lá ajudar a carregar. A Del foi acompanhada, se não me engano, pelos generosos Ronaldo, Donilson e Alexandre. E o restante do grupo continuou atento à leitura que fazíamos com breves paradas para um pequeno resumo para manter atenção.

E dali em diante o swami se propõe a descrever um pouco a técnica do yoga. Para aprofundar ele indica a leitura do livro do Swami Vivekananda "Raja Yoga" e o capítulo 6 do Srimad Baghavad Gita.

A técnica do yoga se dá em 8 passos. Começa com yama e nyama, práticas de conduta sem as quais a prática por inclusive, diz ele, se tornar prejudicial e até mesmo, fatal. Em resumo, "yama, nos convida a não prejudicar nenhum ser vivo, a ser verdadeiros conosco mesmos e com os outros, a não nos apropriarmos dos bens alheios, não levar uma vida promíscua e não depender da generosidade e dos favores de ninguém. O segundo passo, niyama, nos ajuda a manter uma conduta equilibrada, já que nos propõe levar uma vida simples, dedicada ao estudo e aquisição de princípios elevados (que é o que estamos fazendo agora), manter um constante bom humor, ser asseados interna e externamente e, de alguma maneira, a nos relacionarmos com Deus.

Em terceiro, asana, posturas. Disciplinar e controlar o corpo, pois trabalhando com o que é visível vamos alcançando os níveis mais sutis, equilibrando a circulação das energias. Em quarto, pranayama, o controle da energia vital. Swami recomenda que se pratique com cuidado, sob a instrução apropriada. "O resultado para a personalidade é um equilíbrio emocional maior, algo tão necessário para nós latinos, sempre temperamentais, apaixonados, e sentimentais por natureza."

Os próximos passos atuam sobre os koshas, ou envolturas, que condicionam a mente. A tendência dos sentidos é fazer nos voltarmos para fora. Assim, com a visão, nos voltamos para o que tem forma, com a audição, acompanhamos os sons, etc. Controlar essa tendência e nos voltar para o interior é o quinto passo, chamado pratyahara. Em sexto, dharana, é quando focamos em um ponto fixo e tratamos de manter a atenção fixa neles. (Aqui lembramos do início da aula em que falávamos do estado mental chamado ekagrata e em seguida nirodha). E o swami recomenda, como exemplo, focarmos no ponto na região do coração ou entre as sobrancelhas e adverte que no coração é mais fácil e menos perigosa do que no espaço entre as sobrancelhas.

Aqui já estamos falando da esfera mais sutil da personalidade. E vemos que "a prática do Yoga gera uma grande força mental em nossa personalidade. Essa força mental exerce um importante papel na hora de enfrentar muitas situações, positivas ou negativas, da vida cotidiana sem que a personalidade seja afetada."

Para os dois passos seguintes, essas foram as palavras do swami:

"A seguir, vem a prática de dhyana ou meditação, que atua sobre a envoltura relacionada com o estado de bem-aventurança no homem. A verdadeira meditação produz um estado de intensa bem-aventurança em qualquer ser humano, e não uma simples alegria. 

Há milhares de livros sobre meditação, mas aqui só diremos que a meditação é a vibração de uma só onda mental de forma constante, sem que esta se altere por influência de outras ondas mentais. É o fluxo constante de um só pensamento, idéia ou conceito, sem nenhuma interrupção. Quando alguém medita realmente, consegue alcançar uma percepção completamente diferente das coisas, das pessoas e das situações. Alcança uma compreensão maior sobre qualquer tema e uma idéia clara a respeito de que direção tomar em cada atividade da vida. Como já dissemos antes, este é o portal que nos conecta com nosso Ser, o Atman

Finalmente, quando essa meditação se torna estável e a mente se une completamente ao seu objeto de meditação, quando a mente e seu objeto de meditação se tornam um, é alcançado o último passo, denominado samadhi, que nos conecta diretamente com nosso Ser ou Atman

Somente quando experimentamos a existência do Atman em nós é que encontramos nosso centro de gravidade espiritual, aquele que mantém a personalidade totalmente integrada.

Se durante doze segundos a mente puder se manter concentrada em um único objeto, teremos um dhárana. Doze dháranas constituem um dhyana e doze dhyanas constituem um samadhi. Ao alcançar este último passo, passamos a perceber nossa existência em Deus e a presença de Deus em tudo."

E assim, terminamos a leitura e abrimos o bate papo. 
Maria do Carmo, que chegou na hora do estudo foi a primeira a falar (como é costume observarmos... que não faz a prática e chega ao final, está sempre mais falante que o grupo). Ela nos contou de como é, de fato, difícil manter a mente tranquila diante das agitações da vida, especialmente quando a pessoa faz uso de drogas.
Ana também disse que, no geral, a vida na rua leva as pessoas a uma situação como a do macaco bêbado, sempre muito agitada, perambulando.
Aílton fez suas colocações e perguntas sobre o estudo anterior a respeito dos mudras... e a professora Ana aproveitou para lembrar que o estudo sobre mudras é uma das técnicas e hoje, estávamos podendo ter uma visão geral do sistema como um todo.
Rodrigo e Alessandro se mostraram muito atentos e também fizeram colocações na roda sobre a importância dessa metodologia integradora, uma vez que percebem nitidamente a realidade da fragmentação.
A professora Ana voltou a frisar que o método é integrador por dar conta de todos os koshas, e disse: se a pessoa trabalha só como uma ginástica, fica faltando o trabalho com a mente; por outro lado, as vezes a pessoa estuda muito, é muito intelectual, sabe muita coisa, mas não consegue nem se levantar com energia para fazer o que tem que ser feito.
Quando falamos sobre os asanas, Ana lembrou que essa é a parte visível do trabalho, mas que a pessoa pode praticar o tempo todo e quem estiver olhando não vai saber. Mostrou, sentando-se numa postura muito comum do dia a dia e disse: "eu posso sentar assim [com o rosto apoiado na mão], as pessoas vão olhar e não vão saber, mas eu posso estar praticando; a pessoa pode estar deitada, de olhos fechados, vão achar que ela está dormindo; ela até pode estar dormindo, mas também pode estar praticando."
E assim a conversa foi aguçando a vontade de todos do grupo se empenharem na prática constante que, segundo ela, é necessária para obter os benefícios do yoga.
Uma das metáforas que surgiu no grupo foi a do motorista que dorme no volante e acorda antes de bater o carro. Ou seja, mesmo depois de perceber que dormiu, voltar a praticar, porque a estrada ainda não chegou ao fim. Ana aproveitou para falar da inconsciencia total que entramos no sono, quando nos esquecemos de quem somos.
Aílton voltou a expressar sua admiração pelo yoga: "é um sistema antigo, não é mesmo? Quanto anos tem" E fomos comentando que apesar da sistematização por Patanjali ter cerca de 3000 anos, já antes os mestres transmitiam essa prática.
Ana, que estava vindo pela primeira vez mas que já estudou yoga em outras ocasiões, citou Hermogenes e Prabhupada, como pessoas de realização espiritual, assim como Madre Teresa, que ali é admirada por todos que geralmente almoçam na casa das Missionárias da Caridade, na Lapa. Lembramos que ela praticava a oração constante, dando um foco a sua mente, assim como fazem suas seguidoras.
E assim, fomos concluindo com as palavras do Aílton, tentando exprimir um sentimento de reverência, compreendendo que se trata de um conhecimento verdadeiramente profundo e transcendental, capaz de orientar a pessoa na jornada do Espírito. E nos integrar uns aos outros também, em grupo. E todos ficamos assim, silenciosos, calmos, contemplativos, agradecidos pelo momento.

Foi aí que nos preparamos para o almoço que já estava ali.
Moqueca capixaba de banana da terra.
Hanna, que é também professor de yoga no projeto e hoje aceitou servir na cozinha, comentou que quando se tornou vegetariana um dos seus principais desafios não era exatamente a falta de carne, mas a questão da memória afetiva... lembrar do seu pai na cozinha, preparando moqueca, bobó, comidas típicas de sua terra natal.
Então com muito carinho ela estava ali nos apresentando sua moqueca: banana da terra, coentro, tomate, cebola e urucum. Acompanhada abundantemente de farofa de cebola e arroz com leite de coco e salada. Servido ali mesmo, com as panelas, em potes reutilizáveis. Tudo com muita beleza. Nós seguramos os potes mas mãos, e juntos, conduzidos pela propria Hanna, entoamos o mantra OM, agradecidos por tanto amor. Quem quisesse ainda podia ir ao centro da roda repetir salada, arroz, farofa e acrescentar pimenta preparada pela propria cozinheira. Maravilhoso!

Maravilhoso! Tudo. Tudo. Tudo. Não é mesmo?

E depois de escrever essas muitas linhas, refletindo à noite sobre a beleza do dia e a maravilha desse encontro matinal e a possibilidade de vivermos tudo isso juntos, me emocionei. Por poder estar vivendo isso. A comunhão (koinonia, como disse um dos amigos) e a abertura dos corações para o conhecimento. Especialmente por ver o conhecimento fluindo sem obstáculos do coração da Existência aos corações dos praticantes. A integração do serviço amoroso e generoso da alimentação. E o silêncio... especialmente a comunhão do silêncio que acontece ali. E tudo o que fazemos, sem esforço, é praticar. O resto, é o que acontece.

E, assim, à noite, em casa, abri o livro que tenho lido e retomo a leitura:

"Certo pai tinha dois filhos. Para instrui-los no conhecimento de Brahman, enviou-os a um Acharya (preceptor). Depois de alguns anos retornaram à casa e saudaram a seu pai. Este estava ansioso por saber o que haviam aprendido acerca de Brahman; assim é que perguntou a seu filho mais velho: 'Filho querido, estudaste as Escrituras e filosofias; dize-me: com que se parece Brahman?' O filho mais velho procurou, então, descrever o Absoluto Brahman, citando várias passagens dos Vedas.

O pai guardou silêncio. Virando-se para seu filho mais novo, fez-lhe a mesma pergunta. Porém, este não respondeu com palavras; permaneceu imóvel e em comunhão silenciosa com Brahman. Então o pai exclamou: 'Filho querido, tu te aproximaste da realização de Brahman. Teu silêncio é uma resposta melhor que a recitação de uma centena de textos dos Vedas, porque Brahman é indescritível por palavras. É, em verdade, o Absoluto silêncio." (O Evangelho de Ramakrishna, p. 63,4)


domingo, 30 de abril de 2017

Na trilha do amor


Dádiva dos Céus
Te encontrar
Partilhar de Tua presença
A certeza de que agora
Meu caminho é o Teu caminho
Seguiremos juntos saboreando a grandeza desse encontro
Sob Teu silêncio me faço aprendiz
Sinto o Teu Ser
Não há mais nada a fazer
Apenas ser e sentir o Teu Ser
Nada a buscar... nenhuma técnica, nenhum controle, nenhum gerenciamento dos dias...
Apenas a simplicidade de esperar, receber, deixar vir, deixar que Tua presença se derrame como vinho em minha taça
Desfrutar o encontro
Estar aqui, com você, a cada momento.

Mas...
eis que, de repente,
Tu não estás mais aqui
Vejo-me só outra vez
E ainda que toda a sabedoria venha a meus ouvidos me dizer:
"ouça dentro, está dentro, em ti mesmo, sempre esteve, sempre foi um só, por que procurar fora?"
Meus ouvidos ouvem mas meu coração,
por demais humano,
ressente-se de Tua ausência e vê ressurgir toda dor, ansiedade, medo, fraqueza.
Eu já não conhecia a dor do abandono. Tu não existias para mim.
E agora meu coração ficou cego e não consigo mais desfrutar de nada em Tua ausência.
Por isso vim aqui.
Subi a montanha escarpada de minhas contradições.
E, sob a névoa de minha mente tumultuada,
Ergo, nessa hora, os braço ao alto:
Vem!
Só mais uma vez, eu te clamo!
Vem... me conta mais um pouco das Tuas doces histórias e deixe-me beber de Tua voz.
Vem... e deita-Te sobre a grama, e deixe-me acarinhar Teus lindos cabelos.
Vem... fiquemos em silêncio.
Já não posso viver sem Ti,
Já não há vida sem Tua presença
O oceano é um vasto deserto
A floresta está destruída
Todos estão mortos
Só há sombra e confusão e vejo por toda parte chamas e desolação.
Vem... e me responde, definitivamente:
Será o Amor uma dádiva ou uma maldição?
Por quanto tempo ainda caminharei só?
Quando tornarás em definitivo a cumprir a promessa
- Uma promessa que finjo que fizeste -
De estar sempre a meu lado?
Tu... existes de verdade?
Eu... quem sou?
Quem somos para além desse véu de sombras e agitação?
Acalma minha mente.
Receba meu coração.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Na trilha da devoção


Me leva.
Me leva, irmã divina.
Me leva até a altura onde alcançaste.
Me leva.
Que os raios de luz do teu olhar sejam a trilha de ascenção de minha meditação.
Me leva, irmã divina.
Que tua voz seja o eterno som, música das estrelas, zumbido de um pequenino inseto, som das águas... o cântico suave da natureza, a recordar minhas origens.
Me leva.
Que o teu alento seja o ar, suave e profundo, que me conduz mais e mais para dentro de mim mesmo.
Me leva, amiga, amada, para junto de meu peito.
Que teu coração transborde compaixão por tudo que não sei.
E que tuas águas refresquem, inundem e carreguem todo o meu passado de apego e dor.
Me leva, divina flor, divina lua, divina irmã.
Que teus braços dancem harmoniosamente irradiando a graça de tudo o que move: as folhas e ramagens do caminho, as nuvens, o regato, as aves e as ondas do mar. Que nossos braços sejam o proprio vento.
Me ensina, suave e silenciosa amiga, mestre dançarina.
Que teus pés, teus doces pés esvoaçantes, pisem nesse mundo no mesmo tempo que os meus para que você me conduza ao amor divino ainda nesta vida.
Me leva.
Me aceita nessa hora.
Me recebe em tua companhia neste sadhana divino, neste alegre jogo da verdade.
Me leva.

sábado, 18 de março de 2017

Agora na rua:
Menino de 5 anos com sua mãe. Ela diz:
- Vamos agora para casa fazer o seu trabalho. Vamos recortar as figuras...
- Ah, mãe.
- Filho, o que é mais importante brincar ou o trabalho?
- O trabalho , disse o menino chorando.
- Imagina se você chega na escola sem fazer o trabalho. Você vai ser o mico do ano! Todo mundo fez o trabalho menos você.
Isso pra mim é um escândalo mais sério que os dos políticos. Na verdade, creio que a raiz da nossa crise atual esteja aí. É o nascedouro. Pessoas dissociadas de seus sentidos de vida, de si mesmas, criadas neuroticamente para um mundo de cabeça para baixo. Gente!, a questão política mais profunda não é ser de qual partido nesse contexto polarizado, a verdadeira questão política é: como contruir um outro mundo possível com pessoas vivendo plenamente os propósitos de vida de suas almas. Como vamos proteger as crianças de suas famílias neuróticas e amedrontadas? Com tantas experiências de escola livre, tantas escolas com boa visão sobre a infância... ainda existem escolas que passam dever de casa e pais que matriculam seus filhos nelas e entram no jogo do dever, do medo, do que os outros vão pensar de mim, ao invés de cultivar o prazer, a confiança e a autenticidade. Tão novinho. O menino devia bater no meu joelho. Era um pingo de gente... sendo diminuído em seu ser nessa ideologia maluca que NENHUM pedagogo jamais ensinou.
Assim como os políticos não discutem uma reforma política que acabe por exemplo com seus salários, o que acabaria com o incentivo a entrar na política por interesse pessoal, da mesma maneira a sociedade, que padece gravemente do analfabetismo emocional, não consegue encarar o fato de que tem vergonha de dançar, que não troca afeto, que tem medo de amar, que vive um mal estar espiritual que lhe traz imenso vazio, que se vicia em bebidas alcoolicas e comida nada saudável, que abandonou seus sonhos há muito tempo e perdeu sua espontaneidade e alegria de viver, que abusa seu poder sádico sobre os mais fracos (especialmente as crianças) e que foge de tudo isso e mal consegue se olhar nos olhos no espelho e sorrir ou chorar, essa mesma sociedade não consegue ver nem sentir o mal que faz aos seus filhos transmitindo-lhes todo esse sofrimento.
Olhando assim, fica óbvio que a política hoje está tão enferma quanto as pessoas e que a discussão política está tão surda quanto a barulheira emocional mal-tratada de cada membro de nosso corpo social.
Como vamos fazer a reforma política sem os políticos? Como vamos mudar a relação com as crianças sem uma mudança emocional-espiritual dos pais?
Sim. Reafirmamos: Um outro mundo é possível.
E vai nascer a partir de dentro da gente.
Na verdade, já tem muita gente vivendo ele. Só não passa na mídia. Esses irão inspirar os demais.
Inspirem-nos Pestalozzi, Alexander Neill, Janusz Korczak, Rabindranath Tagore, Rudolf Steiner, Victor Frankl, Eurípedes Barsanulfo, Rolando Toro e tantos educadores que perceberam a causa profunda dessas crises, inspirem-nos a encontrar caminhos para nossas crianças.

sexta-feira, 17 de março de 2017

Desejos para o Ano Novo.
Então começa o ano, agora que passou o Carnaval.
2017. E nesse domingo acordei e vim aqui te desejar coisas boas para esse novo ano.
Quais as coisas boas eu posso desejar?
E como eu posso traduzir em palavras?
Tem a ver com o caminho que estou trilhando e, de algum modo, quero partilhar com você, para que a gente possa caminhar junto.
Então o primeiro desejo é esse: que você caminhe. E caminhe junto. Tem uma estrada aqui à nossa frente. E eu não quero que você fique de fora dessa jornada. E também não quero ir sozinho. Por isso vem que estaremos ambos em boa companhia.
O segundo desejo é que você entenda que ninguém conduz a caminhada. Cada um faz suas escolhas e, como que num passe de mágica, na mais perfeita sincronicidade, a gente encontra harmonia nesse caminhar. As coisas dão certo porque eu estou cuidando de mim. E você está cuidando de você.
Para que isso funcione assim com tamanha fluidez desejo que você cuide dessa conexão interna. É você cuidando de você. Quando criança precisamos de Atenção, Acolhimento e Afeto. Agora que somos adultos não precisamos mais de nada. Já temos tudo. Já somos isso tudo e podemos oferecer. Então o terceiro desejo é que você se torne uma pessoa adulta. E tenha, por isso mesmo, como primeiro princípio: não reclamar de ninguém, nem de nada. Nem mesmo quando alguém do seu lado der crise de infantilidade e reclamar de você. Seu trabalho é olhar para dentro de si e cuidar de si, do que acontece em você.
E assim a gente continua na estrada. E o quarto desejo é que você abra as janelas da criatividade. Crie a sua própria vida, crie quem você é, crie assim o campo quântico em torno de você que manifestará o mundo que você deseja a sua volta, atraindo as pessoas e situações perfeitas para o seu desenvolvimento.
O quinto desejo é que você descubra alguém, um princípio, uma força, uma divindade, em quem você confie e então permaneça na confiança e olhe sorrindo para as desesperadas vozes de dúvida que surgem em você porque isso é um padrão muito antigo e a vida pede confiança.
O sexto desejo é que você busque inspiração em pessoas inspiradoras. E aprenda com elas que elas foram adultas e criaram sua própria realidade. E olhando para elas, que você encontre inspiração para o seu andar.
O sétimo desejo é que você pare, absolutamente pare de investir no que não serve mais. E pare inclusive de se contrapor a essas coisas porque a crítica é uma forma de investir inconscientemente. Então deixe para trás o mundo da velha política, dos cinismos das organizações, das articulações maquiavélicas do ambiente de trabalho, das brigas de família (que é a maior das infantilidades) e pare de criticar os outros, inclusive aqueles que estão por aí criticando tudo e não fazendo nada.
Pare. Esse é meu oitavo desejo. Que você pare e não faça nada. Respire um pouco. Aprenda a arte do não fazer. Deixar o celular, a tv, nem livro, nem internet, nem nada. Apenas você com você. Ócio, tédio mesmo. Um pouco dessa parada vai fazer germinar a sua transformação. Vão brotar ideias e ações mais autênticas.
Então o meu nono desejo é que quando a gente se encontrar a gente possa se olhar um pouquinho, sem dizer nada mesmo, apenas sentindo um ao outro. Os verdadeiros encontros não precisam de palavras. Então desejo que quando a gente se encontre, a gente sinta. Cada um sente em si, o que pode sentir do outro. E abertos, aceitando um ao outro, acontecerá o amor. Então desejo verdadeiramente que a gente se ame. E no amor, floresce a alegria de estar junto e daí vem o que há de melhor nos encontros.
E como décimo desejo, eu quero que você olhe as crianças, e sinta-as, e ame-as. E antes mesmo de tocá-las, falar-lhes, bater palminhas ou todas essas coisas do primeiro impulso... você perceba a divindade ali se manifestando na graça dos seus movimentos, na perfeição da sua anatomia, na pureza de sua expressão sem o autocontrole egoico do que os outros vão pensar... e trate de aprender com elas a desfazer as couraças que você lhe impôs pelo desejo de ser reconhecido e aceito e amado por uma sociedade de adultos infantis (portanto doentes). E então aprendendo com as crianças você vai poder falar com elas a partir de um lugar de verdade interior. E também assim vai olhar os animais e as plantas e sentir o mar, e o vento e tudo o que há.
Que você seja feliz nesse caminho. Desfrute. Eu estou aqui desfrutando de tudo isso e te convido a caminhar junto. Com amor.
Amor. Muito amor. Muito muito amor.
Andre Ahlaad
"Após uma forte tempestade, um homem achou pedaços de livros, dentre os quais, uns trechos do que era o Evangelho dos cristãos.
Juntou-os, e assim os leu:
"Olhais os lírios do campo, este é o meu corpo.
Lançai vossas redes ao mar, este é o meu sangue"
E então, o homem, que vivia junto à sua aldeia no interior da floresta, imediatamente ajoelhou-se e, vertendo lágrimas, louvou o seu Deus por ter encontrado escritura tão bela, tão verdadeira."

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Iamas e Niamas nas aulas com quem vive nas ruas

No encontro do dia 2 de fevereiro, apresentamos em nossa parte teórica, os cinco iamas da conduta social e os cinco niamas da conduta pessoal. Falar de yoga com nossos alunos sempre desperta muitas curiosidades e perguntas. Aqui, vou fazer uma breve reflexão sobre esses 10 princípios sendo pensados especificamente para nosso pessoal que vive nas ruas.

IAMA

1- Ahimsa (não-violência)
Um dos temas mais cotidianos de quem vive na rua são ligados à violência. O padrão mental usual é o da agressividade, do medo, da ameaça. Nossos alunos estão tendo a oportunidade de refletir sobre o poder do silenciar diante dos agressores, da vibração do amor, da compreensão do outro... e nos relatam que estão mais tranquilos diante de situações onde normalmente reagiriam na mesma moeda. Estar em paz na aula de yoga é uma coisa... nossa conversa é sempre com o objetivo de prolongar esse estado de ahimsa para o dia a dia.

2- Satya (verdade)
Falar sempre a verdade. E se isso for ferir alguém, optar por ficar em silêncio. Falar a verdade tanto significa não inventar histórias para obter benefícios quanto encarar as situações de frente, encarar a própria historia. Satya é olhar as pessoas nos olhos, levantar a cabeça. É um compromisso muito potente esse de falar e viver a verdade.

3- Asteya (não roubar)
Não nos apoderar daquilo que não nos pertence. Assim como falar a verdade, não roubar é um princípio que nasce da própria integridade. Mesmo nas situações mais difíceis de sobrevivência, da fome, do frio, do desespero... esse princípio garante a consciência tranquila que é essencial para não ficar preso no passado, na consciência de culpa.

4- Brahmacharya (moderação)
Significa viver sem vícios, sem compulsão, sem excessos. Na vida de rua, por estar livre de responsabilidades familiares e sociais, a pessoa tem a sensação de liberdade de fazer o que quer. É o risco de se deixar seduzir por vícios e acabar aprisionado a eles.

5- Aparigraha (ausência de ambição)
Também conhecido como desapego. Reconhecer aquilo que já possui. A vida, o ar, a água, o alimento, os amigos. Agradecer por tudo. A ambição nasce da falta de reconhecimento do que se é e da incapacidade de se viver no momento presente. Então ao invés de ficar projetando conquistas futuras muito distantes ( e quase sempre ilusórias), viver um dia de cada vez e descobrir o contentamento com a simplicidade.

NIAMA

1- Sauca (limpeza)
Um desafio a mais para quem vive na rua, com pouco acesso a banheiro ou locais para tomar banho. A sugestão é de se limpar antes e depois das aulas. Higiene, cuidado com o corpo e a saúde, sentir-se bem consigo mesmo e à vontade no contato com as outra pessoas. Na aula de yoga muitas pessoas começam um convívio. Cuidado com os pés, com os dentes, a importância de tomas banho regularmente.

2- Samtosa (contentamento)
Como obter contentamento se a história de vida muitas vezes está num ponto trágico de rupturas e dores? O yoga abre a possibilidade de consciência desse sentimento íntimo de contentamento, de bem estar de estar vivo, de respirar. É a partir desse ponto que as mudanças na vida exterior podem ocorrer a partir de um estado de potência do sujeito.

3- Tapas (disciplina, perseverança)
Nesse início de pratica, fazer um esforço inicial de praticar os asanas, pranayamas, a observação de si, a meditação, foco e o cuidado com os pensamentos todos os dias, mesmo fora do horário de aula. Perseverança no caminho. Presença nas aulas, ultrapassar os incômodos emocionais que podem acontecer.

4- Swadhyaya (autoestudo)
Respirar. Observar a respiração. Observar os conteúdos mentais, as emoções. A prática está criando o hábito de auto-observação em nossos alunos. Perceber os padrões de reatividade, de frequência mental. Conhecer também os estados de alegria, de paz interior, de amor. Tomar consciência de que o Ser é o observador de tudo isso.

5- Isvarapranidhana (devoção)
Entrega. Confiança. Amor. Reverência pela vida e o reconhecimento sincero da presença de Deus no outro.