terça-feira, 31 de maio de 2011

Jesus nasceu de novo!

Nesta segunda-feira eu vi Jesus.
Um rapaz em situação de rua no café da manhã que servimos no aterro veio pedir para levar um extra para sua esposa.
- Irmão, possso levar um a mais para minha esposa que está ali - pediu apontando para longe.
- Desculpe, mas temos a regra de não deixar ninguém levar extra.
Ele então disse, conformado:
- Tudo bem, mas se alguém puder levar para ela.
Combinamos que levaríamos.
Cerca de 20 minutos depois revi o rapaz e me lembrei do compromisso. Separamos um lanchinho, enchemos um copo de café com leite e fomos acompanhando o rapaz, com o coração em dúvida se teria alguém mesmo para receber (por que duvido tanto de meus irmãos?)
Fomos andando. Até que vi um papelão.
- Bom, o rapaz está falando a verdade, pensei.
E quando chegamos, qual não foi nossa surpresa?! Ali estava uma jovem, com um bebê recém nascido no colo, dando de mamar com uma mamadeira.
Um ambiente de paz nos envolvia.
Agachei e ali, ao solo, deixei os presentes cheio de reverência e cuidado: o copo com café com leite eum saquinho com pão e banana.
Me ergui e olhei de novo para o bebê: os seus olhos brilhavam como estrelas...
Meu coração teve certeza, minha alma chorou:
- É Jesus, pensei.

Obrigado Senhor por estar de novo entre nós.
Que tudo corra bem em sua vida.
Obrigado por me dar olhos de ver, como os reis magos, como os pastores.
Que seu olhar nos traga paz!

segunda-feira, 9 de maio de 2011

ORAÇÃO AO CRISTO DA LUZ



EM NOME DO CRISTO DA LUZ
REVELO AS MINHAS ASPIRAÇÕES A DEUS PARA QUE AS PREENCHA E AS RECEBA EM SUAS MÃOS.

EM NOME DO CRISTO DA LUZ
OFEREÇO-ME À VIDA ETERNA, À ENTREGA, À DISSOLUÇÃO DAS CULPAS, DO MEDO E DA DOR, PARA QUE SEJAM CONVERTIDAS NO AMOR DE CRISTO.

EM NOME DO CRISTO DA LUZ
ABRO O MEU CORAÇÃO PARA RECEBER A CHAMA DO ESPIRITO SANTO, E PARA QUE ESTA SE IRRADIE A OUTROS CORAÇÕES.

EM NOME DO CRISTO DA LUZ
ME CONFESSO DIANTE DELE PARA QUE PERDOE AS MINHAS AÇÕES, OS MEUS PENSAMENTOS, E AS MINHAS DIVIDAS DIANTE DE DEUS

QUE ASSIM SEJA.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

O inquilino


Maravilhoso o filme!

Para variar, Polanski nos leva as fronteiras confusas do que é o real, do que é imaginação.

Por que é bom?

Porque nos remete, a todos nós (sadios, normais), que o que há de patológico nas pessoas com transtorno mental está também dentro de nós mesmos.

Olhando o "doente", vemos que o nosso olhar sobre a realidade, especialmente a realidade sobre si mesmo e sobre as coisas que pensamos que sabemos, é um olhar distorcido.

Só no campo objetivo, quando temos que objetivar as coisas, quando temos que falar em público, quando temos que enfrentar o outro, é que percebemos que o que pensávamos saber não era bem o que sabíamos, não era bem como sabíamos.

Em suma, fica a pergunta quem distorce a realidade?

Após o filme, fica-se meio tonto mesmo.

Sentimos que nossa mente distorce mesmo as coisas, e aí a dúvida é a grande amiga.

O que é o real, o que distorcemos? Como nos prevenir dessa distorção e viver a verdade?

Taí, a resposta está em viver, em con-viver.

Não ficar isolado.

Colocar-se a prova, enfrentar os desafios, aprender com as experiências: eis a única forma de entrar em contato com a realidade.

Isso é o autêntico existencialismo.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Carta de desculpas - a ética do educador

Rio de Janeiro, 07 de abril de 2011

Queridos companheiros do IEAR,

Com esta carta aberta gostaria de pedir desculpas publicamente a cada estudante, técnico e professor do nosso instituto por uma grave incoerência entre meu discurso e minhas atitudes. Como sabem, sou um dos que estimulam a participação democrática em nossa UFF. Numa reunião de departamento, integrei, com mais 3 professores, a comissão eleitoral que se responsabilizou por elaborar o processo das 4 eleições que estamos tendo nesse período. Começamos trabalhando coletivamente. E quando era para ser dado início ao primeiro pleito, convidei um aluno e uma técnica para compor a primeira comissão que organizaria o debate e a eleição para chefe de departamento. Tudo correu muito bem e a participação foi intensa por parte de todos. Todos crescemos muito. Mas preciso dizer que, fazendo um exame de consciência, percebo que cometi o grave equívoco de iniciar o processo sem consultar os demais 3 professores que estavam na comissão eleitoral. Atropelei o processo, por uma ansiedade, por um simplismo, por uma imaturidade ética. Ou seja, nesse momento tenho que me perguntar: como pode o professor que dá aula de ética, que diz acreditar na participação, no diálogo e na democracia, agir de uma forma tão autoritária, desprezando os colegas, esquecendo-se de consultá-los antes de agir em nome do coletivo?

Uma das pessoas que orientam meu posicionamento ético, com bastante radicalidade na busca de coerência, é Mahatma Gandhi. Uma história de sua vida costuma me orientar: uma vez foi com o filho para a cidade e pediu que ele levasse o carro para a oficina mecânica. O menino aproveitou que o pai estaria numa conferência e tirou a tarde para passear com o carro. Ao fim do dia o pai descobriu, pelo dono da oficina, a mentira do filho. Quando o menino pediu ao pai para entrar no carro e irem para casa, Gandhi, ao invés de dar a bronca, diz que vai andando até em casa. “Mas são quilômetros, pai!” “Preciso ir andando” – respondeu – “para pensar onde foi que errei, onde estou errando para que você precise mentir para mim.”

Esse é o exemplo do verdadeiro educador. Que busca constantemente se educar. Que faz a auto-crítica. Meu objetivo na vida é crescer como ser humano. Então de nada adianta julgar os outros. Devo buscar em mim mesmo as respostas dos meus erros, e tentar acertar da próxima vez. Se as coisas no meu grupo de trabalho não vão bem devo me perguntar onde errei. E aqui posso admitir minha parcela de responsabilidade.

Pelo imperativo categórico de Kant me vejo na obrigação de fazer esse pedido público de desculpas porque gostaria de viver num mundo em que as pessoas reconhecessem publicamente seus erros. A República Ideal não é composta por homens infalíveis, porque é do humano a incoerência. Mas a boa república é aquela onde as pessoas buscam o autoconhecimento, reconhecem seu erros e tentam acertar.

Gostaria que recebessem meu pedido de desculpas. Estou a disposição para continuar tentando acertar. No entanto, gostaria que, para as eleições do coordenador, outra pessoa tomasse a frente do processo para que eu pudesse ver e aprender, com seus acertos e erros, aprender também com sua diferença de estilo, por que não?

Agradeço a todos pelos desafios que nos lançam ao crescimento e ao eterno aprendizado da vida.

Paz, paz, paz!

Prof André Andrade Pereira

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Hesse e os muitos eus em jogo


Não sou um só.

Tampouco dois.

Sou muitos.

Encontramo-nos no livro "O lobo da estepe" de Hermann Hesse.

Descobrimos que somos muitos.

Num momento do livro o personagem principal entra numa sala e encontra uma espécie de monge oriental sentado ante um tabuleiro de xadrez. E ali o monge pega todos os eus, como peças do jogo e arma situações as mais diversas possíveis.

Ou seja, somos muitas combinações possíveis também.

Eis umas conclusões:


"Assim como o dramaturgo cria um drama a partir de um punhado de personagens, assim construímos, com as peças de nosso eu despedaçado, novos grupos com novos jogos e atrações, com situações eternamente novas."


"Assim como a loucura, em seu mais alto sentido, é o princípio de toda sabedoria, assim a esquizofrenia é o princípio de toda arte, de toda fantasia."


"Eis a arte da vida - disse doutoralmente - O senhor mesmo pode formar e viver no futuro um jogo de sua própria vida a vontade, desenvolvendo-o e enriquecendo-o; está em suas mãos fazê-lo."


Sensacional!!!!!

terça-feira, 5 de abril de 2011

Hermann Hesse e o pacifismo


A filosofia da paz foi escrita e vivida por diversas pessoas.


Um dos artistas mais geniais que conheço chama-se Hermann Hesse.


No seu livro "O lobo da estepe" o personagem principal encontra-se no entre-guerras do século XX, vendo a mídia empurrar a população para o sentimento de ódio aos inimigos.


Mas não desiste. Escreve sobre a paz, que começa dentro de cada um. Alerta que cada um tem que olhar para si mesmo. Meditar. Conhecer o ódio dentro de si. E optar pela paz.



Eis uns pequenos trechos de reflexão do personagem:

*

"Durante a guerra, eu me mantive antibelicista; depois da contenda incitei os homens a paz, a paciência e ao humanitarismo, a examinarem-se a si mesmos (...)


"(...) cada povo e cada indivíduo , em vez de sonhar com falsas 'responsabilidades' políticas, devia refletir a fundo sobre a parte de culpa que lhe cabe da guerra e de outras misérias humanas, quer por sua atuação, por sua omissão, ou por seus maus costumes (...)


"Uma hora de reflexão, um momento de entrar em si mesmo e perguntar a parte de culpa que lhe cabe nesta desordem e nesta maldade que impera no mundo - mas ninguém quer fazê-lo!"

*

Penso nas nossas pequenas guerras do cotidiano...


Coloco-me no lugar dele e de outros cujos amigos foram para a estupidez do campo de batalha e foram acusados de traição e anti-patriotismo...


Hoje vejo a mídia mostrando tragédias e violências, e calando-se diante de tanta coisa bonita que acontece... E percebo que há um sentimento geral de medo, de desânimo e apatia quanto ao futuro.


Me sinto só. Me sinto contra a maré. Mas preciso continuar dizendo: acredito no amor que há no coração de cada ser humano. Acredito na política porque acredito no diálogo porque acredito no ser humano.


Logion 96 do Evangelho de Tomé: "O Reino do Pai é semelhante a uma mulher que tomou um pouco de levedura, a escondeu na massa e fez com ela grandes pães: que aquele que tenha ouvidos, ouça!"

quinta-feira, 24 de março de 2011

Morreu na praça atrapalhando quem passa


Nessa madrugada meu irmão morreu assassinado na Praça.
Foi no Largo do Machado, Rio de Janeiro.
Em frente a belíssima e imponente Igreja de estilo Romano.
Os jornais noticiam:
Morador de rua morto. Dois suspeitos drogados, pedintes. "Aqui é perigoso, pedintes dormem e circulam pela noite", é a fala do morador entrevistado.
Não sei onde está a maior barbaridade
Se no assassinato a sangue frio de um homem que dormia.
Ou se na sociedade que divulga a notícia trazendo a tona o velho discurso da delinquência.
Quem é o pedinte?
Quem é o morador de rua?
Qual a história pessoal, de cada um?
O que leva essas pessoas para a rua?
O que leva os governos a uma incapacidade de ação social que dê conta de uma boa abordagem, abrigamento, educação, saúde, transporte, empregabilidade, reinserção no contexto familiar?
Poderia ser um familiar seu.
Poderia ser eu, você.
Qualquer um pode um dia parar na sarjeta e entrar num labirinto emocional muito complexo de sair.
Meu irmão morreu e fico com a sensação de que há pessoas felizes.
"Menos um."
"Isso era coisa deles, são uns drogados..."
"São perigosos".
O fato de terem brigado e feito ameaça de morte é suficiente para a mídia tornar uma questão particular: "uma coisa deles". Portanto, que se entendam.
Não nego que, nas minhas andanças e convivências com os irmãos das ruas, ouço histórias de brigas, ameaças em alguns grupos mais sofridos e desesperados pela violência da exclusão a que estão submetidos.
Mas se as pessoas estão chegando a esse grau de miséria, uma reflexao séria precisa perguntar pelas causas sociais. Uma questão ética para toda a humanidade atual. Como uma sociedade se permite conviver com esse nível de exclusão? Como permitimos que seres humanos vivam como bichos, ao viver um processo de verdadeira desumanização? Por que não fazemos nada? Não nos envergonhamos diante do testemunho de uma Madre Teresa de Calcutá que foi viver e morrer ao lado dos mais pobres dos pobres? Que interesses tão importantes nos mobilizam a ponto de esquecermos do outro? O que está causando o estrago em nosso cérebro a ponto de não enxergarmos as pessoas como pessoas e aceitarmos como normal uma situação de extremo abandono e miséria?
E mais:
Que tipo de gente está feliz com a morte do seu irmão?
Que tipo de governo se construiria com base nesse tipo de gente?
Pensemos a respeito!

segunda-feira, 21 de março de 2011

O Senhor do Amor

O Senhor criou estrelas e tanta beleza
e nos deus olhos de ver.
O Senhor criou perfumes
e nos deu o olfato.
O Senhor criou o som e as melodias
e nos deu as formas de ouvir.
O Senhor criou a mulher e o homem
e nos deu o desejo, o prazer, a atração, a paixão.
O Senhor nos deu alegria e dor
e nos fez sensíveis
e buscamos a união, o companheirismo, o amor.
Amor, flor rara que se cultiva ao longo dos anos
ao compartilharmos
intensamente
a vida.

CIVILIZAÇÃO

Mais e maior despojamento material.

quinta-feira, 17 de março de 2011

ENLOUQUECER

Ele enlouqueceu porque viu a beleza
ou viu a beleza porque enlouqueceu?