quarta-feira, 16 de março de 2011

A grandeza, a beleza e o perfume do Senhor


Onde está Deus?

"Arjuna viu a maravilhosa e multifacetária Presença da Divindade - em infinitas formas, resplandecendo em todas as direções do espaço, a onipotência que tudo permeia, enfeitada por inumeráveis vestimentas, guirlandas e ornatos especiais, empunhando armas celestes, com a fragrância de todos os perfumes agradáveis, Suas bocas e Seus olhos por toda parte!

Se um milhar de sóis aparecessem simultaneamente no céu, a luz deles talvez remotamente parecesse o esplendor desse Ser que tudo cria!"

Baghavad Gita, capítulo 11, versículos 10, 11 e 12

Que beleza que é a aparição do Senhor ao discípulo Arjuna!
Um Deus poderoso.
Um Deus de infinitas formas.
Um Deus resplandescente.
Que encanta pela grandeza, mas sobretudo,
pela beleza e pelo perfume.
Eis que Deus se apresenta com "a fragrância de todos os perfumes agradáveis."

Impossível não amá-lo.
E toda essa grandeza deve ainda ser maior
uma vez que essa descrição foi feita por um homem, por certo com a vidência ampliada pelo Senhor, mas ainda sim um homem.

Esse poderoso e belo, que está e governa por toda parte...
E penso nas tragédias e destruições que ora ocorrem em cantos do Planeta.
E entrego ao Senhor minhas orações por piedade.
Não posso duvidar que tudo esteja dentro de suas Sábias Leis.
E rogo que suas mãos toquem amorosamente o coração dos que sofrem
E que suas bocas profiram palavras de consolação a todos os que se desesperam
E que seu perfume envolva-os em seu hálito de beleza e amor trazendo paz.

que assim seja.

quarta-feira, 2 de março de 2011

Qual o sentido da guerra?


Vencedor do Oscar de melhor filme em 1979: O Franco-Atirador (The deer hunter).
De embrulhar o estômago.

Ao produzir tanta loucura, a guerra, qualquer que seja ela, nos exige uma pergunta humana:

Qual o sentido da guerra?
Como vamos nos curar de tantos traumas?

Quantos ainda terão de passar por essa crueldade até que possamos viver em paz?

Que haja paz no mundo!
Que todos os seres vivam em paz!

terça-feira, 1 de março de 2011

A vida espiritual de Madre Teresa - parte II


"Quero ser toda só para Jesus - de verdade e não apenas pelo nome e pelo hábito. Muitas vezes as coisas se invertem - de maneira que o meu reverendíssimo "eu" toma o lugar mais importante. Sempre a mesma Gonxha orgulhosa."

Aqui Teresa mostra a sua luta diária para vencer seus próprios defeitos. Aprendemos com ela que não se torna santo e unido com Deus de uma hora para outra. Essa dinâmica se faz de idas e vindas em que o nosso "eu" velho (e ela usa o nome de bastismo Gonxha, e não o nome religioso) se mostra potente através do orgulho e outras fraquezas.
O bom humor com que ela fala de si mesma: "reverendíssimo eu" é também uma bela lição.

* * *

Ao visitar os pobres nas favelas de Calcutá, ainda na primeira fase de sua missão (antes de entregar-se totalmente aos pobres e fundar uma nova ordem) sentia-se feliz por poder ajudar com seu sorriso. Não levava dinheiro nem nada material, por nada possuir, mas levava-lhe alegria. Famílias inteiras vivendo em pequenos cubículos. Muita miséria material.

"A pobre mãe não proferiu uma palavra de queixa pela pobreza em que vivem. Tudo aquilo era muito doloroso, mas ao mesmo tempo fiquei muito feliz por ver que eles ficam felizes com as minhas visitas. Finalmente, a mãe me disse: "Oh, Ma, venha nos ver outra vez! O seu sorriso trouxe o sol a esta casa!"

Depois, voltando ao conveto, sussurava a seguinte oração:

"Meu Deus, com que facilidade os faço felizes! Dá-me forças para ser sempre a luz da vida deles, a fim de conduzi-los a Ti."

Como sabemos, esse pedido foi atendido.

A vida espiritual de Madre Teresa - parte I



Estou relendo o livro que reúne cartas de Madre Teresa de Calcutá: "Madre Teresa: venha, seja minha luz" escrito por Brian Kolodiejchuk. Um livro maravilhoso que nos mostra aspectos da mística profunda que há na vida espiritual de Madre Teresa, apontando para um caminho que embora possa parecer de luz e felicidade (de alguém que encontra Deus), é na verdade um caminho de escuridão, sofrimentos, vazio de Deus...
Esse mistério quero compreender: como pode alguém experimentar vazio de Deus e espalhar a luz de Deus para tanta gente? Que paradoxo é esse?

Eis alguns trechos de suas cartas, logo no início de sua trajetória na Índia:

"Não pense que a minha vida espiritual é um mar de rosas - essa é a flor que raramente encontro no meu caminho. Bem pelo contrário, tenho mais frequentemente como companheira a "escuridão".
E quando a noite se torna muito densa - e parece que vou acabar no inferno - aí, eu simplesmente me ofereço a Jesus. Se Ele quiser que eu vá para lá - estou pronta - mas só sob a condição de que isso O faça realmente feliz."

Essa a atitude de entrega, de renúncia absoluta.
Ishvarapranidhana. Entregar-se nas mãos de Deus completamente.
Talvez essa escuridão, essa aridez, seja levada ao limite, exatamente para que ela se entregue sem limites a Ele.

* * *

O autor do livro relaciona essa escuridão com um fenômeno que atinge normalmente os místicos e santos e que São João da Cruz denominava "noite escura", para designar "as dolorosas purificações a que a pessoa é sujeita a chegar antes de atingir a união com Deus". p. 34

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

Dar comida a quem tem fome


Mais uma vez fui parado na rua.
O homem me disse:
- Parabéns pala sua atitude de dar comida aos pobres. É um gesto bonito. Mas é por pessoas como você que a rua está cheia de vagabundos.
Não é a primeira vez que ouço isso. Não será a útima.
Pensei em coisas a dizer. Aí resolvi fazer uma lista de possíveis respostas.

1) - O meu café deve ser muito bom para fazer as pessoas abandonarem suas casas, famílias, camas confortáveis para virem morar na rua só para tomar o meu café. Porque ninguém vai para a rua porque tem gente dando comida. As pessoas vão para a rua porque sua vida chegou a algum limite, seja um acidente, um desemprego súbito, uma briga familiar. E para sair da rua é preciso de algum apoio. Meu trabalho é dar esse apoio amigo.

2) - Quem vive pedindo (e se recusa a trabalhar mesmo que surja um serviço) é um sofredor, está numa espécie de depressão, sem vontade de viver. Mesmo que eu pare de dar comida ele vai conseguir de outras formas. Eu posso aproveitar e criar um laço de afeto e incentivá-lo a renascer para a vida, para a vontade de viver, ajudando a despertar o guerreiro adormecido.

3) - Um dia um Homem me falou que estava com muita fome e que ia roubar, mas deixou de roubar porque lembrou do nosso café e do clima de paz que viviamos nas nossas manhãs. Aí milagrosamente uma senhora apareceu e deu a Ele um café.

4) - Eu não dou comida aos pobres, eu dou comida a Jesus.
[Assim aprendi com a Madre Teresa].

5) - A globalização, a grande cidade, a cultura do veloz, da técnica, o dinheiro, a TV nos tornam cada vez mais insensíveis ante a dor do outro. Se eu não estabeleço contato com o marginalizado do sistema vou entrar numa espécie de ilusão. Eu preciso dele, não ele de mim. Eu não dou comida, eu mendigo um pouco do sentido de ser humano. O pouco que me resta.

6) - Hoje eu ajudo. Um dia eu posso precisar de ajuda.

7) - Um dia pode ser você.
*
E toda vez que volto pra casa faço o teste: se estou com a consciência tranquila por ter feito a minha parte é porque estou num falso espírito de solidariedade, mas se volto com o coração doído por ter feito pouco, por sentir que aquelas pessoas merecem mais e que há muito mais gente a ser ajudada, aí sim, estou no espírito de verdadeiro amor.

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Caravaggio e a crucificaçao de Pedro


Praça do Povo em Roma. A Praça é imensa e nos faz pensar em politica e historia. Uma praça tao grande, cabe muita gente reunida. Imaginamos os encontros do povo ali. Historia: Roma, sede do império. No centro da praça um gigante obelisco roubado do Egito. Roma, cidade imperial ao tempo das atividades revolucionarias dos primeiros cristaos, que aboliam a ideia de escravidao proclamando a igualdade essencial de todo ser humano. Todo ser humano é morada do Espirito de Deus, e pode ser Seu porta-voz.
Ali tem uma igreja rica em arte. Santa Maria do Povo (Santa Maria del Popolo).
A Caravaggio foram encomendadas duas obras. Dentre elas essa pintura belissima da crucificaçao de Pedro. Detalhe, o santo pediu que fosse crucificado de cabeça para baixo, para nao igualar-se ao seu Mestre.
A crucificaçao foi um dos suplicios mais dolorosos de todos os tempos.
E vejamos como Caravaggio mostrou o trabalho que dava para crucificar alguem. Os tres homens parecem estafados nessa atividade. Seus corpos falam. Caravaggio é um genio!
Que luz! Que maravilha de claro-escuro. Suas pinturas tem esse drama, essa coisa barroca, esse realismo dramatico, vejamos o que nos diz o corpo velho, apesar de forte e rijo, cansado do apostolo. Detalhe na expressao facial de Pedro... Pensamos muito sobre essa expressao. Ha uma dor intensa ao olhar para a mao esquerda sendo pregada na cruz. Mas ha tambem um que de sublime, é como se Pedro visse/sentisse a dor do proprio Mestre, compreendesse a Sua dor quando passou pela mesma situaçao, e ali se irmanou do Mestre, mas ao mesmo tempo que é sublime, doi muito, a dor de Jesus é grande demais. Essa dor é simbolo da dor dos homens, que caminham distantes de Deus e de si mesmos.
Outro detalhe que nos parece interessante: a pedra ao chao, que parece saltar do quadro, é do tamanho de um cranio (tema tipico barroco, simbolo da morte).
Saimos mais vivos dali. Tocados pela luz de Caravaggio. Fazendo brilhar uma luz que ha em nos.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O sacrificio para o sucesso




Fico pensando na busca do sucesso.


A nossa cultura ocidental nos incentiva a investir todas as nossas energias em busca de sucesso.


E preconiza igualmente o sacrificio, o esforço, a necessidade de abrimos mao de varias coisas para obter o sonho tao desejado.


Na vida vamos seguindo em busca dos sonhos. Alguns realizamos. Os homens de sucesso fazem da derrota o momento de aglutinar mais forças em busca das vitorias futuras.


Mas, e dai? Depois da conquista o que somos?


Quando somos felizes?


Olhando para o meu passado de sucessos nao sei bem dizer quando fui feliz. Engraçado, honestamente, posso dizer que tive varias vitorias sucessivas. Alias posso lembrar da minha vida como dividida em capitulos. Capitulos das lutas pelos sucessos: teve o momento das notas altas na escola, entrar para o curso técnico, ser da equipe principal do time de volei, a eleiçao do gremio, ser bom aluno no pre-vestibular, passar no vestibular, as notas na faculdade, conseguir ter sucesso no namoro, a vaga no emprego...
Mas e os acontecimentos felizes nesse periodo? Pouco me lembro.


A impressao é que deixei de ver muita coisa ao meu redor. Deixei de valorizar as coisas felizes e simples a minha volta. Esqueci de perceber que era feliz e nao sabia.


Hoje quero cultivar aquele pensamento: felicidade nao esta na meta alcançada, mas no caminho.
Em simplesmente ser.
Vou me deixar ser feliz.
“Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas lhes serão acrescentadas. Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã trará as suas próprias preocupações. Basta a cada dia o seu próprio mal.”
Mateus 6:33-34

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Uno sguardo dal ponte


Acaba de estrear na Europa, a Opera americana "A View from the Bridge", aqui em Roma chamada "Uno sguardo dal Ponte". Belissimo espetaculo, escrito por Arthur Miller! Além dos aspectos psicologicos da trama, que lhe dao um carater verdadeiramente universal, e da contemporaneidade estética da montagem, meu coraçao sentiu-se especialmente tocado pelo pano de fundo historico: as dificuldades encotradas nos EUA pelos imigrantes italianos nos anos 50. Passaporte, imigraçao, denuncia, justiça. O auge dessa questao é quando um dos italianos é preso e declara seus sentimentos, pensa na mulher, nos filhos que ficaram na Italia a esperar, e o que a América tem para oferecer? Um navio chamado Fome.
*
Espero que meus irmaos europeus, que hoje recebem tantos imigrantes, cada um com uma rica historia pessoal, possam ser tocados por esse texto cantado hoje no Teatro dell'Opera di Roma e comecem a abrir seus coraçoes e suas fronteiras aos imigrantes em busca de sonhos.
paz!
***
Quero indicar um autor argelino que mora e publica na Italia: Amara Lakhous. http://www.amaralakhous.com/ Li ha pouco um livro profundo e engraçado sobre a vida cotidiana dos grupos de imigrantes dessas terras: Scontro di civiltà per un ascensore a piazza Vittorio. (Choque de civilizaçoes por um elevador na Praça Vittorio). Espero que os editores se apressem a traduzi-lo para o nosso bom portugues. Ja ha em ingles.
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Come un non-italiano prego perdone per scrivere con tanti errore. Però mio cuore voglia dire che lo spettacolo di questa sera a Teatro Dell'Opera di Roma ha stato bellissimo. Mi ha fatto pensare sulla questione della immigrazione attuale, incluso a Italia. Capire i sentimenti più profondi degli immigrati è fondamentale per una pacifica vita insieme. Complimenti a tutti! Un brasiliano in vacanze en questa bella e vecchia città!

sábado, 1 de janeiro de 2011

O que é o amor?


A vida espiritual se resume em amar. Nao se ama porque se quer fazer o bem a alguém, ajuda-lo, protege-lo. Agindo dessa maneira, nos comportamos como se vissemos o proximo como um simples objeto e nos mesmos como sendo generosos e sabios. Mas isso nao tem nada a ver com amor. Amor significa comunicar-se com o outro e descobrir nele uma particula de Deus.
Thomas Merton
Extraido da introduçao de um livro do Paulo Coelho escrito em italiano, portanto, perdoem a traduçao livre. O livro se chama: Na margem do rio Piedra eu sentei e chorei.