sábado, 13 de agosto de 2011

Aceite-me

Temos tanta coisa em nosso interior...
No teatro da vida, em que representamos personagens ao longo do tempo, raras vezes ouvimos quem somos na vida real.
E esse é o trabalho essencial.
Encontramos então muitas coisas que não queríamos ver.
Mas aceitar é o único caminho para a paz interior.
É o caminho de retorno a Deus, nossa ligação mais profunda com a Vida.
Somos sempre reconvidados a esse encontro.
Eis um poema-oração de um dos maiores poetas-místicos de todos os tempos.



"Aceite-me, querido Deus, aceite-me por um momento.

Deixe os órfãos dias sem Você serem esquecidos.

Alongue este breve instante por Seu longo colo, mantendo-o sob Sua luz.

Vaguei atrás de vozes que me atraíram... deu em nada.

Permita-me, agora, sentar em paz e escutar Suas palavras no espírito do meu silêncio.

Não mostre Suas costas aos segredos obscuros do meu coração: queime-os até que Seu fogo os ilumine."

Rabindranath Tagore

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Quem manda em você?

Quero compartilhar uma reflexão sobre a importância de nossas ações na construção do nosso destino.
Na Índia a palavra ação é expressa por karma (kamma, em páli).

Sidarta Gautama disse:
"Todos os seres possuem suas ações, herdam as suas ações, têm origem nas suas ações, estão ligados as suas ações; as suas ações são o seu refúgio. Conforme suas ações forem indignas ou nobres, assim será sua vida."

Não há fatalismo, nem destino: tudo é resultado de nossas próprias ações.

Disse ainda: "Você é senhor de si, você constrói seu próprio futuro."

Daí, ouvi o comentário do Goenkaji, meu professor de meditação:

"Cada um de nós é como um homem de olhos vendados que nunca aprendeu a dirigir, sentado ao volante de um carro em alta velocidade em uma estrada movimentada. Não é provável que alcance seu destino sem sofrer um desastre. Pode acreditar estar dirigindo o carro, mas, na realidade, é o carro que o conduz. Se quiser evitar um acidente e alcançar o seu objetivo, é preciso remover a venda, aprender a conduzir o veículo e afastar-se do perigo o mais depressa possível. Da mesma forma devemos ficar atentos aquilo que fazemos e, então, aprender a praticar ações que nos levem aonde realmente queremos chegar."

Com esse entendimento volto minha atenção para minha respiração, observo as sensações do meu corpo, fico vigilante diante das emoções que surgem, aceito-as como elas são, mas não deixo que elas me governem. Esse é um bom caminho.

Creio que todo santo, que toda pessoa iluminada, na base de suas ações está uma consciência muito atenta de si mesmo.

Fique em paz e bom trabalho.

Essas citações são do livro: Meditação Vipassana: a arte de viver segundo S.N. Goenka, escrito por William Hart.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Deus e o ateu

Toda vez que encontro alguém que me diz "não acredito em Deus", isso aumenta ainda mais minha admiração por Deus.
Ele é tão grandioso, tão magnânimo e deu tanta liberdade ao ser humano a ponto de podermos duvidar.
Deus fica ainda maior diante do ateu.
Tão sem desejo de poder e controle. Deus nos aceita como somos. Aceita os caminhos que escolhemos para chegarmos até Ele.
É claro que sempre manda os convites. Os raios de sol, o encanto das estrelas, as fases da lua... o canto do pássaro, a alegria dos cachorrinhos, o trabalho das formigas, o orvalho no mato... a dor, as perdas, o vazio... tudo é um falar de Deus e um apontar para Deus. E ainda assim Ele não nos força a nada.
Que Criador maravilhoso!

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Meditação Vipassana




Acabo de voltar de mais um curso de Meditação Vipassana.

Foi muito bom e profundo.
São 10 dias em que mergulhamos em nós mesmos, seguindo uma técnica muito simples ensinada pelo Buda.
Nos 3 primeiros dias afiamos a mente através da observação da respiração natural (técnica conhecida como anapana). Não é controle da respiração (pranayama), mas a sua simples observação. Sentir o ar entrando e saindo pelas narinas.
Depois do quarto dia vamos gradativamente aprendendo a técnica Vipassana que consiste em observar as sensações em cada parte do corpo.
Observar.
Como um cientista, como um médico que olha as feridas.
Sem julgar.
Isso vai treinando a nossa mente a agir com equanimidade diante das situações da vida. Isso significa aceitar as coisas como elas são.

Normalmente sofremos com as coisas desagradáveis e ficamos felizes com as coisas agradáveis.
Por isso sofremos o tempo todo, vivemos a ilusão, porque nada é permanente.

Essa é verdadeira sabedoria ensinada pelo Buda: equanimidade, nem apego ao que é agradável, nem aversão ao que é desagradável.


Uma sabedoria que não pode simplesmente ser intelectual, é preciso passar pela experiência. Ele experimentou e mostrou o caminho.

A prática é simples. Mas o resultado: muito profundo.

Enquanto se pratica a observação das sensações, coisas do passado, negatividades muito profundas vem a tona e se liberam. Essas negatividades: raiva, ódio, desejo sensual, ansiedade, desejo de poder, angústia, medos... vem a tona e encontram uma mente que observa, que aceita a realidade das coisas como estão se manifestando nesse momento.

Não precisamos brigar para que vão embora. O simples fato de aceitar a realidade que há em nós, nos liberta, e nos torna mais leves.

Isso amplia nossa capacidade de compaixão diante de todos os que sofrem.
Isso amplia nossa capacidade de perdão.
Isso nos aproxima da real felicidade.

Se você quiser aprender, tem que fazer um curso desses de 10 dias, cumprir as regras morais propostas e confiar na técnica.

Veja no site: http://www.dhamma.org/

Funciona.
E digo isso não por um convencimento intelectual. Mas pela experiência.

Sabe aquelas situações em que sabemos que temos que ser tolerantes com alguém e não conseguimos? E sofremos por não conseguir? Isso nos faz tanto mal.


A técnica te ajuda, porque com ela, você se liberta das impurezas que estão dentro de você acumuladas e te impedem de aceitar e perdoar. São gatilhos de ódio armazenados em seu interior. Com a prática você se torna leve. E então a tolerância passa a ser algo natural.


Que todos os seres sejam felizes.
Seja feliz.
Paz, paz, paz!

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Pessoas sendo jogadas no rio.






Dando voz a um irmão que mora na rua:

Fala 1: "Irmão, eles pegam a gente, jogam a gente na van, batem, espancam. Se o irmão não sossega eles jogam o irmão no meio do mato."

Fala 2: "Uma vez eu tava num desses ônibus. Sabe o que os policiais fazem? Mandam a gente deitar no chão. Aí, se dependuram no ferro que a gente usa pra se segurar e se jogam com os pés sobre o peito do nosso irmão. Faz isso umas três vezes."

Fala 3: "Depois de espancar o irmão na van, olha aqui (e me mostrou hematomas nos braços), abre a porta e joga na ribanceira, joga no rio, num rio que tem lá quase em Paciência - Santa Cruz."

A van e o ônibus é a que deve levar os que desejam ir para os abrigos. Na lei, a "acolhida" tem regras, e só deveria ir quem quer.

Não é isso que estamos assistindo no cotidiano de nossa cidade.

Me disseram que participam dessas operações Policiais Militares e Guardas Municipais.

Hoje de manhã, ouvi essas histórias de crueldade medieval. Tortura, barbárie, crueldade, assassinato, são realizados pelos representantes do nosso Estado de Direito, que deveriam preservar a vida e as liberdades individuais.


Essas vítimas não cometeram crime algum.

Lembro que até nas guerras havia regras. Os cavaleiros tinham honradez.



Sinto que o nazismo está aqui: terrorismo de Estado. Fraqueza moral no poder. Extermínio.

A sociedade está surda.
O que podemos fazer para parar essa covardia, essa crueldade?
O que você tem feito?
Pense. O que você pode fazer é diferente do que eu tenho feito. Mas faça o seu melhor.

Tenho dificuldades de pensar. O ódio quase me domina.
Então silencio meu coração, penso em meus grandes exemplos que enfrentaram a violência com paz: Thich Nhat Hanh, Mahatma Gandhi, Dalai Lama, Martin Luther King Jr., Madre Teresa de Calcutá, Nelson Mandela... e os evoco para nos inspirarem, para nos tirarem dessa insensibilidade, desse descaso.

Ajude, ajude meus irmãos que estão nas ruas. Comece a fazer algo. Comece. O que o seu coração mandar. Se não podemos fazer tudo que o Estado não faz, comecemos a fazer o possível: tornarmo-nos amigos. Qualquer coisa, mas comece logo.

Ajude, ajude meus irmãos que vestem a farda policial, mas se perdem na emoção da crueldade, da maldade, que é bem verdade, está dentro de cada um de nós. Que eles possam receber a ternura que falta em seus frágeis corações. Todo agressor traz fraqueza e desequilíbrio em si mesmo. Que eles possam receber a orientação segura no caminho do bem.

Ajude, ajude a criar uma cidade melhor. Ela começa em cada um de nós. Façamos de nossa vida, um gesto permanente de paz. Criemos harmonia e solidariedade, dentro de nós, a nosso redor, e ampliemos nosso redor convidando para as bodas aqueles que não tem condições de retribuir. A cidade partida é fruto de corações partidários. "Os meus" primeiro, "os nossos" contra "eles". Enquanto não entendermos a universalidade do amor, ficaremos chocados e horrorizados quando a violência de exclusão chegar a nossa porta.

paz, paz, paz!

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Candomblé



Finalmente,
fui a um terreiro de candomblé. Era festa de Xangô.
Um divisor de águas em minha vida.
Como cientista da religião, faltava essa experiência de corpo presente.
De corpo presente, sim, porque experimentei ali muita coisa com o corpo inteiro.
As pessoas são comuns, não estão em transe o tempo todo. Convivem, conversam, riem, tudo muito natural.
Movimento: dança em roda, com gestos rituais que se reproduzem a mais de 3000 anos.
Cores: das roupas simples, mas muito ricas de cores, das contas, dos ornamentos.
Gosto: do chá de gengibre e, em especial, da rabada com quiabo que ficou na minha mão;
Calor: da fogueira, onde fomos dançar com os deuses incorporados.
Cheiro: de natureza, de quiabo.
Ritmo: dos atabaques, que nos levam a dimensões do sagrado, numa profunda comunhão com a vida.

Para mim foi a primeira impressão: muito positiva, especialmente a abertura de coração, o sorriso da mãe e do pai da casa e de algumas mulheres que vinham nos explicar algumas coisas.

O candomblé é um caminho espiritual muito longo, uma iniciação muito bonita onde a pessoa vai amadurecendo em sua relação com a complexa significação do universo espiritual.

Não sei nada. Há muito o que aprender.
Conselho: vá ver, ouvir, sentir, provar.

O ideal de diálogo inter-religioso ficou fortalecido. É um caminho legítimo, onde pessoas maravilhosas chegam a um belo objetivo humano.

paz!

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Definições Espíritas

Reunião de Estudos da Doutrina
Momento de aprimoramento intelectual no sentido de espiritualização do saber. É o abrir das asas do entendimento e do sentimento para o voo rumo a evolução

Evangelização
Crescimento. Formação moral através da convivência com o diferente. É o esforço de ajudar a remover os obstáculos interiores ao progresso real.

Mediunidade
Exercício de preparação contínuo para a vivencia dos potenciais do homem do futuro. Feliz o que desperta cedi oara o bom uso de suas singulares faculdades mediúnicas.

Caridade
Olhar o sofredor sem julgar. Ver com compreensão que somos todos capazes do mal e do bem.

Drogas
Momento de dor insuportável e inconsciente. Só ajuda quem consegue fazer-se amigo e saber esperar o tempo da colheita.

Perseguidores Espirituais
Amigos a nos estimular a trilharmos a senda do bem perseverantemente.

Doação
Felizes os que podem ajudar. Já estão melhores do que os que só podem pedir.

Ânimo
Qualidade dos que trazem a alma plena de gratidão pela vida e conseguem transmitir essa alegria simples aos que estão temporariamente tristes.


Certeza de que aqui é passageiro. Qualidade dos que entesouram riquezas no céu, amealhando amigos por toda parte.

Casamento
Destino dos que precisam trilhar juntos os desafios do aprimoramento na arte de conviver e amar.

Liderança
Exercício de humildade e responsabilidade. Só quem confia pode liderar. Jesus confia em todos.

Prece
Exercício de comunhão com Deus. Abrir as portas do coração enquanto silencia os condicionamentos mentais.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Boas vindas ao trabalho




Seja bem vinda a esse grupo aberto.
Aqui, a cada semestre chega gente nova, novos sonhos, novos anseios, novos jeitos de ser, de viver, de crer, de lutar, de amar.
Cada pessoa traz consigo o universo inteiro.
A UFF, como todo lugar de trabalho, pode ser um bom lugar de trabalho e convivência. Isso depende de você.
Cada pessoa traz em se coração luz e áreas escuras. As vezes as áreas escuras dominam nossas ações e não nos damos conta das luzes que estão ao nosso redor.
Cada ambiente que vamos desperta em nós sementes de luz e fontes sombrias.
Há ambientes que somos como que naturalmente felizes, bem humorados, leves, serenas...
O sábio, o que usa a inteligência e a liberdade para ser feliz, aonde vai, busca tocar as sementes de amor em seu coração.
Sócrates, Buda, Jesus, os Upanishads, o Tao Te Ching, todas as matrizes filosóficas da humanidade alertam: cuidado com o intelectualismo. O pensar pode libertar. Mas pode alienar daquilo que mais fundamental existe: o universo maravilhoso que há em nosso interior. Ali, encontramos o universo. O macro, no micro. Os doutores intelectuais estão sempre em risco de esquecer isso, sei que nada sei.
Os felizes são os que olham para dentro, tocam suas sementes de amor e se põem a partilhar isso com os outros.
Que a sua vinda para cá seja uma oportunidade para que recebamos os frutos de amor que você traz, para estudantes e colegas.
Que sua vinda para cá seja oportunidade de realizar suas aspirações mais profundas. Pois essas contribuem para uma humanidade mais feliz.
Que no caleidoscópio das equipes de trabalho, sua presença remexa nossas estruturas interiores e nos incentivem a um convívio feliz, fraterno, simples, de pessoas que querem ser feliz e fazer outras felizes.
Namastê, Paz, Axé, Shanti.

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Ágape - belo livro de Marcelo Rossi


Me fez imenso bem ler e praticar o livro de Marcelo Rossi.
Indico a todas as pessoas.
É um livro simples, transpira uma espiritualidade genuína.
Seus comentários sobre as passagens do Evangelho são universais, trazem interpretações para nossa vivência no cotidiano.
Cita diversos místicos da história do cristianismo e pessoas de grande fé e prática de amor. Isso nos ajuda a aprofundar a nossa experiência espiritual. São João da Cruz, Madre Teresa de Calcutá, irmã Dulce, João Paulo II...
Ao ler com o coração e em voz alta as orações ao fim de cada capítulo, senti um grande bem estar, senti a presença do amor, meu corpo foi abraçado, um arrepio gostoso, puro, fortalecedor, amoroso me envolveu.
Posso dizer que esse é o tipo de livro que faz bem a humanidade.
Não fere nenhuma crença.
Afirma a importância de Jesus sem dogmatismos.
Ajuda o nosso aprendizado da arte de amar...
Ágape.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Jesus nasceu de novo!

Nesta segunda-feira eu vi Jesus.
Um rapaz em situação de rua no café da manhã que servimos no aterro veio pedir para levar um extra para sua esposa.
- Irmão, possso levar um a mais para minha esposa que está ali - pediu apontando para longe.
- Desculpe, mas temos a regra de não deixar ninguém levar extra.
Ele então disse, conformado:
- Tudo bem, mas se alguém puder levar para ela.
Combinamos que levaríamos.
Cerca de 20 minutos depois revi o rapaz e me lembrei do compromisso. Separamos um lanchinho, enchemos um copo de café com leite e fomos acompanhando o rapaz, com o coração em dúvida se teria alguém mesmo para receber (por que duvido tanto de meus irmãos?)
Fomos andando. Até que vi um papelão.
- Bom, o rapaz está falando a verdade, pensei.
E quando chegamos, qual não foi nossa surpresa?! Ali estava uma jovem, com um bebê recém nascido no colo, dando de mamar com uma mamadeira.
Um ambiente de paz nos envolvia.
Agachei e ali, ao solo, deixei os presentes cheio de reverência e cuidado: o copo com café com leite eum saquinho com pão e banana.
Me ergui e olhei de novo para o bebê: os seus olhos brilhavam como estrelas...
Meu coração teve certeza, minha alma chorou:
- É Jesus, pensei.

Obrigado Senhor por estar de novo entre nós.
Que tudo corra bem em sua vida.
Obrigado por me dar olhos de ver, como os reis magos, como os pastores.
Que seu olhar nos traga paz!